terça-feira, 1 de abril de 2014

Foi um Primeiro de Abril


Está em fase de acabamento o livro onde relaciono sambas de Nei Lopes com conteúdos da disciplina de História. 


Coloco minha visão de pedagogo (não sou historiador), mas ponho também a visão de compositor, porque gosto quando um compositor fala de outro. 

Há uma idiossincrasia em comum, uma intersubjetividade que só quem é compositor consegue entender. É de poeta para poeta. O que uns chamam de 'papo de compositor'. 

Por isso também logo no início do livro mostro poetas consagrados falando da pessoa do Nei: Aldir Blanc, Zeca Pagodinho, Hermínio Bello de Carvalho.

A ideia do livro, que se chamará O ABC DE NEI LOPES: o samba na sala de História surgiu à época em que eu e Renata Carvalho de Sousa Freitas, efetuávamos uma pesquisa a ser aplicada em nosso Trabalho de Conclusão de Curso para a Licenciatura em Pedagogia,“Na cultura afro-brasileira uma aplicação: o samba que se aprende na escola (uma estratégia didática voltada ao ensino fundamental)”. 

Foi impressionante a quantidade de sambas de Nei Lopes em nossa lista, figurando em quase todas as disciplinas da grade curricular, principalmente Língua Portuguesa e claro, História.

Quem quer que tenha o privilégio de conhecer pessoalmente o Nei captará uma aura professoral a lhe envolver.

E esse ar de educador eu já tinha percebido nele, via email, antes de conhecê-lo pessoalmente. Bem antes de surgir a ideia de escrever um livro paradidático calcado em sua obra.

Como de costume, partilhei com ele a letra de um samba que eu acabara de compor e ele, com um didatismo próprio dos mestres, corrigiu o refrão,onde eu dava uma escorregadela cacofônica. O nome do samba é 'Primeiro de Abril', e o refrão em  forma de dístico era esse:

'Num primeiro de Abril
Quem aqui nunca caiu?'

Veja trecho do email enviado pelo Mestre:




Veja como ficou o refrão depois da dica do educador Nei Lopes e aproveitem analisem a letra do samba na íntegra:


Num primeiro de abril
Todo mundo já caiu               BIS
Num primeiro de abril
Todo mundo já caiu

Agraciado pelas mãos da natureza
Berço esplêndido, sem catástrofes e sem peste
E o que dizer da dengue e febre amarela
Deslizamentos e da seca do Nordeste


Apascenta sua rês com outra cantiga
Porque essa é muito antiga
Qual rebanho vai dormir?                                    REFRÃO
A sua ideologia é pura simbologia
Chegou a vez de se assumir

            BIS

Viver nesse país é tão legal
Vigora a tal democracia racial
Peguei meu carro importado, saí para dar um rolé
Me perguntaram se eu era o chofer
     
  REFRÃO/ BIS

Mas a índole mansa e pacífica
Dessa gente sem um gene violento
Votaram numa atitude cívica
Disseram “não” para o desarmamento

        REFRÃO

domingo, 30 de março de 2014

Da série DA COR DO FUTEBOL: Tomo 2


A mais exata demonstração de incivilidade e atraso moral e espiritual, o Racismo, anomalia psicoafetiva, reverberado, ultimamente, nos cantos e cânticos das arquibancadas é apenas um eco de um racismo secular, sutil, impronunciado nas ruas de nossas cidades, no trânsito, nos restaurantes dos grandes chef’s, nas lojas de carros importados, nas feiras náuticas e congêneres.

Nas salas de reuniões de grandes executivos, nos salões de formaturas das melhores universidades públicas.

Na portaria dos edifícios de luxo, no hall de entrada dos grandes hotéis,

 Nas instituições bancárias e financeiras, nos orfanatos e a fila de crianças para a adoção.

A voz explicitada da geral dos estádios é a mesma voz, em âmbito privado, implicitamente, nos rádios comunicadores dos seguranças das redes de hipermercado e das viaturas do aparelho de segurança pública do Estado.


O ruído dos grunhidos onomatopaicos imitando o guincho de símios é o mesmo ruído que corre pelos corredores (na roupagem poética de sofismas) das agências de publicidade e das agências de emprego.

Comum ao fenômeno chamado comportamento de massa, onde a individualidade se dilui num todo e o individuo se oculta e se integra a um coletivo, a demonstração intolerante de discriminação racial e o preconceito de cor, reprimida pelas convenções sociais do Brasil que não admite tais manifestações se libera numa situação de homogeneidade de condutas.


Nunca será demasiado lembrar que a censura à exposição pública do racismo ditada por convenções sociais no Brasil não significa que a nossa sociedade não seja preconceituosa. Como diz, meu amigo Carlinhos Eletropaulo, o Brasil é o país do paradoxo.



Confira o Tomo 1 dessa série:

(Copie e cole no navegador) 

http://pordomoumagia.blogspot.com.br/2014/02/da-serie-da-cor-do-futebol-tomo-1.html

segunda-feira, 24 de março de 2014

Desde dos tempos idos


Na última semana de Dezembro que passou espocou nas redes sociais a prisão de dois policiais da UPP do Morro de São Carlos, no Estácio, Rio de Janeiro, por roubarem R$ 540,00 de uma mulher, que seria mãe de um traficante local. A cena do roubo em que um dos agentes do Estado enfia a mão no bolso da mulher, surrupiando a quantia, se alastrou em efeito viral na grande rede e serviu de prova inconteste para incriminação dos PM’s.

Veja o vídeo clicando no link abaixo:

Essa inversão de valores, onde agentes públicos que tem como função primordial evitar crimes, cometem-nos, reflexo da sensação de onipotência que vem junto a impostação da autoridade, o que no Brasil equivale ao ‘posso tudo, pois nada me atinge’.

Isso não é coisa de nossa época, não é exclusividade do agora, esses achaques vêm de tempos outros, de um Brasil Império, nas brumas de mil oitocentos e lá vai bolinha, conforme informa o historiador André Rosemberg, pesquisador do Departamento de Sociologia e Antropologia da UNESP, Campus Marília, no livro Chumbo e Festim - Uma História da Polícia Paulista no Sinal do Império.

Charge de Nani

Rosemberg relata o caso, dentre outros, de Amaro José Dias, membro do Corpo Policial Permanente, uma corporação que atuava nos limites estaduais, o que seria a Polícia Militar de hoje, e que, por sua conduta incorrigível fez com que o comandante-geral enviasse um ofício ao presidente da província de São Paulo (o governador dos dias atuais), pedindo para que o soldado Amaro recebesse a baixa da Corporação e ainda sugeria que ele fosse recrutado às Forças Armadas.


O policial era acusado de furtar um cordão de ouro e um relógio. Em sua fé de ofício, uma espécie de ficha pessoal, adicionavam-se casos de embriaguês em serviço, brigas, arruaça no desempenho da função, faltas injustificadas, contrabando de cachaça, insolência e insubordinação.

sábado, 22 de março de 2014

POSSÍVEIS DIÁLOGOS IMPROVÁVEIS


Tá se achando,é? Aproveita
Um dia eu te esqueço na gaveta...

Entre Fernando, Sorocaba e o Vibrador

sábado, 15 de março de 2014

(MÂNGATA) Saudades de quando, sentado na plataforma de pesca na Biquinha, admirávamos o rastro prateado da lua sobre as águas da baía de São Vicente.


Existem palavras que existem apenas em uma língua.
Assim como saudade só temos na Língua Portuguesa (e no galego também, língua falada na Galíza, fronteira entre Espanha e Portugal)
Pana po’o é um termo usado pelos havaianos para designar o ato corriqueiro de coçar a cabeça quando esquecemos algo.
Culaccino é uma palavra que só existe no italiano e é para nomear aquele círculo que marca a mesa quando se tira um copo gelado.
Você já caminhou por uma praia deserta ou um parque, ou um bosque e sentiu uma solidão. Essa sensação é chamada em alemão de waldeinsmkeit.
E aquela avalanche de respostas que vem depois que você saiu de uma discussão,os franceses chamam essa sensação de l’esprit d’escalie. É do francês também o popular dejá vú (pronúncia correta é dejá ví), literalmente,'já visto', que nomeia aquela sensação de ao viver algo sentir já ter vivido aquilo, também chamada de sensação de replay.
E aquela trilha que o reflexo da lua cria na água, aquela imagem tão poética, só tem um nome específico em sueco: mângata.


sexta-feira, 14 de março de 2014

A arte poética: NA PALMA DE MINHA MÃO




Tomai a si, oh, quiromante
Espalmada a minha mão
Cada ranhura espiralada
Jaz um verso, uma canção

Minha mão é minha alma
Fiel espelho do meu ser
Velha cigana vá com calma
Belas cousas há de ler

No pergaminho da epiderme
Versos em linha helicoidal
Concretismo biológico
Que resplendor... um recital

Lembra um mapa hidrográfico
Afluentes rumo à foz
Cada linha, cada verso
Em sinuosos caracóis

Konstantin Simonov
E o Catulo da Paixão
Também tem Éle Semog
Na palma de minha mão

Meireles e Kiril Kadiisky
Drummond e Mário Quintana
Domeneck e Leminsky
Recitava a velha gitana

quinta-feira, 6 de março de 2014

No Carnaval todo mundo é igual



Uma escola de samba desfilando na avenida diz mais do que o simples enredo proposto. Apresenta um retrato carnavalizado do Brasil.

O etnomusicólogo congolês Kazadi wa Mukuna, no último parágrafo de seu livro, Contribuição Bantu na Música Popular Brasileira, observa que durante o carnaval de 1976 no Rio de Janeiro percebeu que praticamente todos os destaques das principais escolas do desfile oficial eram mulheres brancas ao passo que a maioria na ala das baianas, no fim da escola, era de senhoras negras.

Se analisarmos com isenção perceberemos que hoje, 38 anos depois, vigora ainda uma divisão racial na estrutura da sequência das alas nas grandes escolas.

Com pontuais exceções, a suprema maioria de carnavalescos e presidentes (postos de decisão e de exercício do poder) das grandes escolas é branca.

As passistas são majoritariamente negras (ou mulatas, como querem alguns), contudo, o trono de rainha, o posto maior dentre as passistas, é ocupado por brancas, oriundas ou não do universo do entretenimento (atrizes, modelos, ex-BBB’s). Negras nesse posto só se forem do universo citado.

Escondidos atrás dos carros alegóricos, empurrando-os, a turma da merenda, o pessoal da energia, a ala da força (formam eles uma alegoria da massa trabalhadora, operários e proletários, do país composta em sua maioria de pretos e pardos) carregam no braço a opulência das agremiações e em cima dos mesmos carros, conforme Mukuna pontuara, os destaques brancos, muitos sem familiaridade alguma com a malemolência do bom samba. 

Imagem que remonta aos idos tempos da escravatura, dos palanquins de liteira com a senhora branca sendo carregada pelos servos negros.

 
Disparidade racial também no Carnaval  de rua da Bahia como explícita a imagem panorâmica de uma foto tirada de um helicóptero,  flagrando a massa de foliões, majoritários, brancos separados por uma corda de um contingente de maioria negra apenas assistindo.


E as baianas? Conforme Mukuna ressaltou, continuam sendo formadas em sua maioria por senhoras negras.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Da série: DA COR DO FUTEBOL: Tomo 1


Foi emblemático o desdobramento do que ficou conhecido como o ‘Caso Grafite’ quando o zagueiro argentino Desábato recebeu voz de prisão ao sair de campo, em pleno Morumbi, acusado pelo crime de racismo, assim que o juiz apitou o fim da partida entre São Paulo e Quilmes, pela Copa Libertadores da América, em 2005.

Segundo o atacante brasileiro, num lance de jogo, o argentino o teria ofendido, xingando-o de ‘negro de merda’.

Emblemático porque trouxe à tona a questão do preconceito de cor nas relações futebolísticas no Brasil.

Mais emblemático ainda foi o apontamento de Luis Felipe Scollari, sobre o caso. À época treinador da Seleção de Portugal e em visita ao Brasil, Felipão disse que a prisão de Desábato  fora um exagero, que dentro do gramado há coisas piores e que são meras provocações sempre na tentativa de se desestabilizar o adversário.

Segundo Ronaldo Helal, pesquisador da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), num estudo sobre a rivalidade futebolística entre Brasil e Argentina, após uma estadia em Buenos Aires pesquisando, concluiu que a animosidade é mais forte do lado tupiniquim. Os hermanos, ao contrário, admiram mais do que odeiam o futebol brasileiro. Sobretudo a 'alegria de jogar' dos brazucas, imortalizada pela imagem mítica de Garrincha e Pelé e retroprojetada em jogadores como Cafu, Ronaldinho Gaúcho, Robinho (e porque não Neymar, à época da pesquisa um desconhecido).

Meses depois do jogo entre São Paulo e Quilmes, as seleções de Brasil e Argentina protagonizaram a final da Copa das Confederações na Alemanha, com uma sonora goleada do escrete canarinho. 4x1 em cima da Argentina de Aymar, Riquelme, Sorín e Tevez. Em matéria do jornal Olé, o articulista Marcelo Sotille sentenciou, lançando luz sobre o quesito 'alegria' dos brasileiros como um diferencial dentro de campo:

“(…)Bailando con sus mejores sonrisas, cantando ante ojos extraños como un grupo que se divierte sin que los rivales le sa­quen la pelota. Porque son así, son profesionales del juego bonito, Y en la cancha suelen mostrar los dientes... (Olé, 30 de junho de 2005)”.

Voltando ao 'Caso Grafite' Helal compartilha a repercussão na imprensa esportiva da Argentina sobre a prisão do zagueiro do Quilmes, destacando os populares Olé e Clarín:

"As matérias sobre o “caso de racismo” do jogador Desábato chegaram às primeiras páginas dos jornais argentinos e o tom era de indignação pelo exagero da punição. Havia fotos do jogador alge­mado e manchetes sob o título “Vergonha” (Clarín, 15 de março) e “Inferno no Brasil” (Olé, 15 de março)".

Helal percebeu que o uso frequente do termo ‘macaquito’ empregado pela imprensa e atletas portenhos, embora cristalize estereótipos e traga uma aditivo de preconceito, tem uma conotação puramente provocativa, ciosos de que isso incomoda os brasileños. O macaquito seria o equivalente do maricón, contrapartida usada pelos jogadores brasileiros para irritar os argentinos. Assim como um brasileiro ao provocar o adversário chamando o de maricón, alusão a vaidade dos argentinos com suas cabeleiras vastas atadas a rabos-de-cavalo ou arcos, ou tiaras, não acredita que de fato, o oponente é gay, e só o faz por provocação, o mesmo se dá com as mofas dos argentinos.

Voltando à fala de Felipão sobre ‘Caso Grafite’, o treinador coloca à plateia de jornalistas a pergunta ‘querem debater racismo no futebol? Quantos craques e bons jogadores negros já tivemos no Brasil? Muitos ou poucos?’

 Felipão mesmo responde e encaixa outra pergunta (inquietante e incômoda pergunta) ‘tivemos muitos e agora respondam, quantos técnicos negros estão à frente de algum grande time brasileiro?


REFERÊNCIAS:

HELAL, Ronaldo, Como eles nos vêem - futebol brasileiro e imprensa argentina, Revista Contemporânea, UERJ,2005,disponível: http://www.contemporanea.uerj.br/pdf/ed_04/contemporanea_n04_07_RonaldoHelal.pdf



sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

ARTE POÉTICA: Mostra sua ginga, Tinga

Tinga
Mostra sua ginga
Pois o ódio só respinga
Em quem tem ódio também

Tinga
Seu talento é o que te vinga
Pois aquele que te xinga
Merece só o seu desdém

Autoria: Ricardo Bispo





terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Fernando Queiroz é filho de um dos homens mais ricos e influentes de São Vicente. Um jovem que sempre se incomodou com o fato de ter do bom e do melhor, enquanto muitos mal tem o que comer. Num belo dia resolve largar as mordomias da mansão de sua família e decide ir catar papelão com um carroceiro do México-70.  




   Um verdadeiro espetáculo bordava de cores o céu azul da favela. Pipas com suas extensas rabiolas. Adernavam... Adornavam... Bailavam na imensidão tendo como fundo-de-cena tiras de nuvens-algodão semelhantes à clara de ovo batida em ponto de neve e respingada pela gema dourada do sol.
FOTO: Bernado Tabak/ G1

    Jardas e jardas de linha-10 desenrolavam-se dos carretéis estendendo ao longe pipas, cartolinhas e papagaios num sonho de liberdade. A cada debicada elas curvavam-se no ar, altaneiras, balançando a cauda como cometas de papel crepom. De repente duas delas se estranharam no alto. Enlaçaram-se. Enroscaram-se. Duelaram-se. Duas capoeiristas ao som dos ventos berimbaus. A linha de uma delas, mais afiada, de súbito, retesou-se. Revestida por uma camada de pó de vidro e goma rompeu o elo vital da pipa rival que flutuou, sem vida e sem encanto, igual a uma folha que o outono poda dos arvoredos.


   Empunhando enormes varas de bambu, a meninada em disparada afluía da Rua Dois, da Rua Seis, da Rua Cinco, do Trevo, da Rua do Meio, como caçadores de balão, convergiam ao Campão. Pés no chão de barro, olhos no céu de pipas.

   - Tá acordado, moço? – estranhou Beto, ao encontrar Nando desperto. Beto demonstrava sobriedade num indício de que o álcool e seus teores vaporizaram-se em meio ao reboliço efervescente da paixão.


O texto acima é um trecho do romance Nando pelas ruas do México-70, de autoria do colunista dessa página e de seu pai Antônio Bispo. A previsão de publicação é do 2º semestre de 2014.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

A ARTE POÉTICA: Coração hipotalâmico


Coração cruel e insensível
sede de inomináveis amarguras,
espúrias tristezas,
vãs esperanças e alegrias fortuitas
Te absolvo
Laudo assinado pelos bioquímicos
e neurocientistas
As emoções não emanam
tampouco se convergem
ao polo esquerdo do peito
O epicentro desse furacão
que a tudo devasta e desbasta
tudo que prezo, pelo que rezo e amo
Chama-se hipotálamo


Ai hipotálamo cruel e insensível


                                                                                   Autoria: Ricardo Bispo

domingo, 2 de fevereiro de 2014

ESSA NOITE VAI TER LUA CHEIA

Hoje dia 2 de fevereiro, dia de Iemanjá e me deparei com a foto que posto abaixo de uma campanha publicitária pouco feliz da Dulorem.



Rainha do mar, guardiã da água salgada. Deusa do panteão iorubá. Na mitologia nagô, Filha de Olocum, o Senhor dos Mares, é a grande matriarca do Orum, morada celestial dos Orixás, entes da natureza, cultuados na África Ocidental, onde hoje são a Nigéria e o Benim, além de países com forte influência da Diáspora Negra como Brasil, Cuba onde é chamada de Yemayá, em Trindad-Tobago é Emanjah, na República Dominicana, Agué Toroyo e no Haiti, Maitresse Erzili e Agoué. Vinculada à maternidade Iemanjá zela também pelas faculdades mentais superiores, como a memória, o intelecto e a cognição. O culto a Iemanjá se originou entre o povo Egbá, no centro-oeste do país ioruba, segundo o pesquisador Nei Lopes. 

Um dos orixás mais populares do Brasil (sempre lembrada nas festividades de virada de ano) eternizada em canções, filmes e novelas, é também símbolo do desrespeito e menosprezo com que a cultura negra é tratada no Brasil.



Alvo de um processo de embraquecimento, qual Jesus Cristo concebido um louro, de olhos verdes, a deusa africana é apresentada comumente como uma sereia de traços eurodescendentes, com cabelos lisos, levemente ondulados, pele alva e feições caucasianas. Há quem afirme se não fosse esse embraquecimento a popularidade e aceitação de Iemanjá na sociedade brasileira não seria tão ampla.


A campanha de lingerie da Dulorem apresenta uma Iemanjá branca dessacralizada com um ar sedutor. Seria alusão ao poder de encantamento e irresistível sedução da sereia, entidade folclórica associada à Iemanjá, o que não serve como desculpa para tamanho desrespeito.

Na mesma toada lembro do axé pop de Pepeu Gomes, recentemente regravada e que foi tema de abertura de novela da Rede Globo.

‘Sexy Iemanjá
Tudo haver com o mar
Essa noite vai ter lua cheia’


A Rainha do Mar, Grande Mãe, ocupa o mais alto patamar na hierarquia das deidades iroubanas, acima de outras iabás (orixás femininos) como Oxum, Iansã e Nanã. Iemanjá está para os candomblecistas e umbandistas o que Nossa Senhora está para os católicos. 

Imaginem o bafafá,o deus nos acuda se invés de Iemanjá, expusessem uma santa do catolicismo.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

“ESSE tal de hip-hop”


Eu canto é samba-de-breque
Não sou Black, não sou dos States
Vai pra lá com esse seu funk
Essa moda de rap, essa dança de breake
Quero ouvir versador, não quero curtir MC
Por que o meu sangue é nagô
Sou banto, sou luso, eu sou guarani

É que esse tal de hip-hop
É tecnopop e esse é seu pretexto
Você acha que ganha Ibope
Com linguagem cultural de outro contexto
Eu sou mais uma roda de coco
Um calangotango, uma embolada
Sob a luz do repente uma chula raiada
Faz da umbigada a maior curtição

Desfaz esse ar de sisudo
Semblante carrancudo pra impor respeito
Tire uma onda no samba
Protesta na manha que surte efeito

(Eu canto é samba-de-breque...)

Isso não é preconceito
Eu tenho um conceito e que me advogue
Se os manos do Bronx não cantam Cartola
Porque cantarei então o Snoop Dogg
Eu sou mais uma roda de coco
Um calangotango, uma embolada
Sob a luz do repente uma chula raiada
Faz da umbigada a maior curtição

Desfaz esse ar de sisudo
Semblante carrancudo pra impor respeito
Tire uma onda no samba
Protesta na manha que surte efeito

Na Feirinha da Pavuna houve uma grande confusão!

Quando chega essa época e vejo a Pavuna, no subúrbio do Rio, às voltas com as enchentes, lembro-me que em tupi-guarani pavuna significa 'lugar atoladiço'.

 Os tupinambás há 500 anos já sabiam o que os governantes ainda não sacaram.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

É de escalpelar Valderrama

No Tempo de Dom Dom samba enredo era feito por dupla ou no máximo por um trio de compositores.

Hoje em dia parece um time de futebol

Ô Lôko!

sábado, 18 de janeiro de 2014

Bóris Casoy de saias

Colegas no SBT têm vergonha da jornalista Rachel Sheherazade

http://r7.com/cNEt 



(Foto: Reprodução/SBT)

A grande questão não é ser de direita ou de esquerda, tampouco o fato de estarmos num país democrático, onde todos tem assegurado o direito de expressar o seu pensamento. 

O problema é quando uma jornalista (que tem como função informar, noticiar), por meio de uma concessão do Estado, que é o canal de tv,  utilizando assim a faixa do espectro eletromagnético - usado na radiofusão, que é um bem público, para impor a sua opinião pessoal, interferindo na essência da notícia, direcionando conclusões dos telespectadores, negando a estes o direito de discordar e contra-argumentar. 

Digo impor e não expor sua opinião, porque o posto que a telejornalista ocupa na ancoragem de um noticiário, com toda a credibilidade  que lhe é inerente, em horário nobre e em rede nacional a coloca numa posição privilegiada e desigual como formadora de opinião. É uma imposição!

Segundo o professor Laurindo Lalo Leal Filho, livre-docente da Escola de Comunicações e Arte da USP, no livro Mocinhos e Bandidos -controle do conteúdo televisivo e outros temas, nos países com democracia consolidada, jornalistas de rádio e TV não opinam e mantém a neutralidade da informação.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

“É SÓ BBB”





BBB 19.jpgÉ SÓ BBB (Quando ligo a tv, só vejo Bebida, Bunda e Beijo)
Uma crítica bem humorada à banalidade e vulgarização que reina em nossos meios de comunicação.


Quando eu ligo a TV só vejo bebida, bunda e beijo     
Querendo assistir a algo mais instrutivo (2x)                     REFRÃO
Dou siricutico. É isso que vejo

Qualquer folhetim de uma telenovela
É a mesma balela já dá pra saber                                     Autoria:  Ricardo Bispo e Ligia Oliveira
É bumbum de fora, é beijo sem carinho
Abrindo o caminho para o BBB
Em estádio de futebol não entra birita, qualquer uma que seja
Mas nas placas que ficam em volta do gramado
 Só vejo anúncio de marca de cerveja
REFRÃO
Na guerra em busca da tal da audiência a concorrência não quer nem saber
No fogo cruzado, ninguém tem clemência e nessa guerra, o povo é quem vai perder
Na erudição dos mais altos preceitos, profundos conceitos do bunda-lelê
É só rebolation,é só embromation, recito o poema do tcherê tchê tchê
                                                                                                 REFRÃO
BBB é uma sigla bem brasileira para Besteira, Briga, e para BO
Burrice, Bobagem e Baboseira, é só Blábláblá, Bibibi e Bobobó
É carta marcada essa nova estrutura reconfigurando a televisão
E essa emissora com muita bravura faz nossa cultura ir pro ‘Paredão’


Samba de Ligia de Oliveira/ Ricardo Bispo

Intérprete: Boy do Cavaco (Grupo Número Baixo)

Músicos: Bebê 7 Cordas (Grupo Número Baixo)
Delei do Banjo e Cesinha

Acessem o clipe dessa música no Youtube:




domingo, 22 de dezembro de 2013

NEVOU NO MORRO





Noite de natal...
Patamo no morro, cercaram o Borel
O do gorro vermelho não era saci, era Papai Noel
Com soldado-de-chumbo e aviãozinho passando papel

-O que tem nesse saco? Seu véio veiaco
Não adianta fugir
- Eu só tenho presente
Eu sou inocente, pra que vou mentir?
O gordinho deu no pé
Subiu a chaminé e saiu vazado
Mas os veados deixaram na mão
E no trenó sozinho ele tava cercado
Mas foi sonoro o tapa
Que aquele velhinho levou
-Me responda que farinha é essa?
-É neve lá do Pólo Norte, doutor


“Jingle Bell” bate o sino da sirene
Joga o papel que a polícia chegou                                       REFRÃO
Olha a calma vovô, 
Quem não deve não teme

 AUTORIA: Ricardo Bispo, Pakito e Delei do Banjo   















sábado, 7 de dezembro de 2013

ARTE POÉTICA: A Substância da Metáfora


O que será da metáfora
desprovida de sua referencialidade?
Nada, assim como nada, sou eu
sem o seu sorriso imanente
e sem o silêncio loquaz que se interpõe
no intervalo que há entre um e outro beijo
e o hiato que se eterniza brevemente nesse silêncio

Metáfora não é ornamento textual na concretude das palavras
A metáfora é transcendência, palavras em orgasmo,
 aspecto visível e corpóreo do riso das estrelas
a metáfora é um pássaro ébrio hesitando em voar

Com palavras descrevo a realidade
 e com silêncios, redescrevo-a 

quem discernirá a metáfora inscrita implicitamente no silêncio de meu mundo



Samba do bom

'Teu corpo tem cheiro de sangue
Teus lábios tem gosto de fel
Teu peito tem lodo do mangue
Princesa dos quartos de hotel"

COISA RUIM DEMAIS

Samba lindo de Ivor Lancellotti e João Nogueira

Princesa dos quartos de hotel (Belo eufemismo pra palavra 'puta')

João Nogueira, gênio da música brasileira

Curta essa obra-prima no link abaixo:

http://www.sambaderaiz.net/o-homem-dos-quarenta-joao-nogueira/

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

O CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) acatou denúncia da Associação Brasileira de Difusão do Livro e de alguns consumidores a cerca de uma peça publicitária da Vivo sobre o serviço de Internet Fixa, produzido pela agência DPZ. Conforme denúncia o filme veiculado na Tv e na internet desmerecia o valor social e cultural do livro ao exibir uma cena em que um livro é usado como mero acessório para ajustar uma criança ao assento de uma cadeira em frente ao computador, passando a mensagem de que com o acesso à internet os livros como fonte de saber seriam dispensáveis.


Segundo a relatora do processo, Conselheira Nelcina Tropardi, ao justificar seu voto, embora o anúncio retrate cenas do cotidiano de muitos lares, a publicidade nesse caso deveria adotar uma postura mais conservadora, já que é inegável que o brasileiro lê muito pouco e que o anúncio reforçava, ainda que indiretamente, esse triste panorama. Ainda em seu voto, que foi acolhido por unanimidade, a relatora recomendou a alteração do conteúdo do filme.

DESMANCHA CASÓRIO


 Ela é de extremecer, ela gosta de dançar
Dança mambo, dança tango
Mas seu ramo é sambar
Faz em mim um fuzuê
Quando bota pra quebrar
No olhar uma ternura, na cintura um bambolê
O cavaco ou a viola chora ao seu bel-prazer

Quando ela requebra, cumpadre
É um pega pra capá
Marmanjo se acotovela só pra ver o seu gingar
Vai descendo de mansinho
E o burburinho é notório
Com essa cara de santinha

Desmanchou muito casório

AUTORIA: Ricardo Bispo