Mostrando postagens com marcador Ricardo Bispo poeta. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ricardo Bispo poeta. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 16 de maio de 2014

ARTE POÉTICA: Crise de abstinência



Sinto a sua falta
como a flauta sente do sopro
Como o mar sente do leme da canoa que passou
 e lá longe atracou
Como um cego, não de nascença, sente da luz

Sinto a sua falta como o fogo ou a música
sente do ar para se propagar
Como um catavento em sua haste solitária
sente da brisa mais inibida
Como a flor sente do néctar
 que a abelha-operária sugou

Sinto a sua falta como o ouro do Zambeze
sente das águas de aluvião
Como a mata hostil sente da sinfonia de pássaros canoros
Como um encanto feito de origami
sente dos hábeis dedos do artífice

Sinto a sua falta como o bloco de granito
sente das partículas do quartzo
Como o espelho sente
a ausência do seu sorriso delicado
Como um corpo em óbito sentira esvair-se todo o elan vital

Sinto a sua falta
Maluca. Moleca. Sapeca
Fingindo baforadas de cigarros imaginários
Ao expulsar vapores quentes de seus lábios inimagináveis
Em noites densas invernais






terça-feira, 22 de abril de 2014

ARTE POÉTICA: Antropotragicamente

É o amor
Essa nuvem de anti-matéria que tudo devora
e a tudo transforma
Esse Abaporu, deglutiu-me e me metamorfoseou
E aqui estou, 'antropotragicamente'
Ao seu dispor


AUTORIA: Ricardo Bispo

ARTE POÉTICA: Porque todo poeta sente um vazio impreenchível


Como o raio rasga o céu
E a adaga rasga um véu
Seu sorriso insípido me rasgou ao meio



Uma de minhas partes desprendeu-se
E flanou... e vagou...Ao sabor da aragem
oriunda dos soluços da outra parte, a que ficou.
Fincada ao chão,
incompleta, inconclusa,chorosa
Saudosa da que partiu feito nuvem
Em trilha irreversível
E diuturnamente a poetizar
Tanto uma, quanto outra
No esforço vão de se recompletar

Mas poesia... a poesia é água cálida

Enche, quase transborda...
E quando julgo plena a borda


Evapora-se...
Evapora-s..
Evapora-.

AUTORIA: Ricardo Bispo

sexta-feira, 14 de março de 2014

A arte poética: NA PALMA DE MINHA MÃO




Tomai a si, oh, quiromante
Espalmada a minha mão
Cada ranhura espiralada
Jaz um verso, uma canção

Minha mão é minha alma
Fiel espelho do meu ser
Velha cigana vá com calma
Belas cousas há de ler

No pergaminho da epiderme
Versos em linha helicoidal
Concretismo biológico
Que resplendor... um recital

Lembra um mapa hidrográfico
Afluentes rumo à foz
Cada linha, cada verso
Em sinuosos caracóis

Konstantin Simonov
E o Catulo da Paixão
Também tem Éle Semog
Na palma de minha mão

Meireles e Kiril Kadiisky
Drummond e Mário Quintana
Domeneck e Leminsky
Recitava a velha gitana

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

ARTE POÉTICA: Mostra sua ginga, Tinga

Tinga
Mostra sua ginga
Pois o ódio só respinga
Em quem tem ódio também

Tinga
Seu talento é o que te vinga
Pois aquele que te xinga
Merece só o seu desdém

Autoria: Ricardo Bispo





sábado, 8 de fevereiro de 2014

A ARTE POÉTICA: Coração hipotalâmico


Coração cruel e insensível
sede de inomináveis amarguras,
espúrias tristezas,
vãs esperanças e alegrias fortuitas
Te absolvo
Laudo assinado pelos bioquímicos
e neurocientistas
As emoções não emanam
tampouco se convergem
ao polo esquerdo do peito
O epicentro desse furacão
que a tudo devasta e desbasta
tudo que prezo, pelo que rezo e amo
Chama-se hipotálamo


Ai hipotálamo cruel e insensível


                                                                                   Autoria: Ricardo Bispo

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

ACENO DE MÃO DO ENTARDECER


Fotografia by Lígia Oliveira

Veja amor, nos braços do horizonte
É o Astro-Rei indo adormecer
No lençol do mar ele se esconde
É sublime o aceno de mão de entardecer

E o vento baila sussurrando os segredos
Da dama Noite que está prestes a chegar
Num carrossel ornamentado de estrelas
Vestido negro enfeitado de luar

E esse encanto... esse esplendor da natureza
Um cenário feito pelas próprias mãos de Deus
O Criador que inventou toda beleza
Só pros meus olhos derramarem-se nos seus

Ricardo Bispo