terça-feira, 29 de outubro de 2013

Seu Leitão Fanfarrão, o Forreste Gump do Irajá

 
O ator Dan Stulbach, Tom Hanks brasileiro

No partido-alto, “Ganzá do Seu Leitão”, coautoria de Cleber Augusto, Nei Lopes sintetiza na personagem principal, tanto a memória de seu pai, Luiz Braz, como a de sua mãe, Dona Eurídice Leopoldina, além de Dayr, conhecido por Noco, um de seus irmãos mais velhos.

Ouça o samba na voz de Roberto Ribeiro aqui: http://grooveshark.com/#!/search/song?q=Roberto+Ribeiro+O+Ganz%C3%A1+do+Seu+Leit%C3%A3o
Os elementos afetivos recolhidos em seu núcleo familiar, compostos de narrativas e vivências dos “mais velhos” embutidas nas recordações de infância são os ingredientes de Nei Lopes para confecção de quadros musicais do passado. Daí a historicidade que permeia sua produção musical (Coisa da Antiga, Epopeia de Zumbi, Tempo de Dom Dom, Sapopemba e Maxambomba, Goiabada Cascão, Compadre Bento e outros).
O recurso de identificar um agente social do passado na figura de um antepassado, depositário de vivências e visões de mundo legadas à posterioridade, atua como fio condutor para que o eu lírico de Nei Lopes crie um vínculo indissolúvel (consaguinidade, descendência) entre presente e passado, sendo o “hoje”, herança e consequência direta do “ontem”, o que introduz a pessoa do narrador ao discurso. E que opera para uma noção de integração e sentido de pertencimento, legitimando de forma incontestável sua denúncia sobre a  opressão e exclusão (muitas vezes sutil) dos negros na sociedade brasileira.
A figura do “mais velho” é uma simbologia e exerce a função de instrumento ideológico para a construção e afirmação identitária, encadeando fatos históricos - dando vazão à afetividade das recordações, em forma de canção num “rejunte” para a consolidação da identidade. Conviveu, ele, em sua infância no Irajá, subúrbio do Rio, com gente que havia vivido a escravidão e que contavam causos do tempo do cativeiro. Acervos vivos de uma história valiosíssima. Nessa viagem ao passado longínquo em busca de uma ancestralidade africana, Nei resgatará nessas pessoas a memória de sua ascendência negra familiar, a qual não pode conhecer pessoalmente. Raízes profundas de sua árvore genealógica. Negras raízes de um baobá.
Sobre esse aspecto, Cosme Elias, autor de uma tese de Doutorado sobre a obra de Nei Lopes, pontua: “É uma referência mítica, arquitetada no sentido de afirmar uma identidade, construir um ambiente imaginário em que a figura do mais velho se apresenta como sustentáculo desse ‘ser’ carioca e principalmente negro”

O Seu Leitão do samba é uma espécie de Forrest Gump, “O contador de histórias”, personagem vivido por Tom Hanks no cinema em 1994, o que lhe rendeu um Oscar e um Leão de Ouro como melhor ator. A produção também ganhou essas estatuetas como Melhor Filme e Robert Zermerkis, Melhor Diretor, além de outras tantas premiações. “O contador de histórias” é uma fábula moderna, baseada no romance homônimo de Winston Groom. Forrest se torna protagonista e testemunha ocular de eventos marcantes da história norte-americana do século XX: combateu na Guerra do Vietnã, participou, ao lado de Broadway Joe, da campanha vitoriosa do Alabama, campeão do futebol americano em 1961; integrou a seleção dos EUA de tênis de mesa; conheceu John Lennon e o inspirou a compor “Imagine”; foi recebido na Casa Branca por vários presidentes, como Lyndon Johnson, John Kennedy e Robert Nixon, com este último vivenciaria o famoso “caso Watergate”; conheceu Elvis Presley e as tentativas estabanadas de Forrest em dançar, dificultado pelos aparelhos que usava nas pernas, inspiraram os movimentos tresloucados que depois consagrariam o Rei do Rock.
Se a saga de Forrest abrange quase 4 décadas da história estadunidense, a do Seu Leitão, cobre 6 décadas da nossa história, pois a narrativa inicia no ano da Abolição da escravatura, quando o protagonista nasce e se encerra em 1950, com o “Maracanaço”. Esse samba é também uma fábula moderna. Seu Leitão pegou a gripe espanhola, andou em bonde de burro, participou das lendárias rodas de samba e pernada na Praça Onze; folião infatigável foi figura proeminente nos ranchos carnavalescos Ameno Resedá e o Kananga do Japão, que antecederam às escolas de samba; e assim como Forrest foi ao front, combateu nas duas Grandes Guerras, e brilhou também nos desportos, foi zagueiro da Seleção Brasileira em 1938 na Copa  da França e na copa seguinte, realizada no Brasil presenciou o fiasco do time nacional.
Em depoimento ao jornalista Fernando Faro, Nei Lopes revelou que seu pai nasceu em 1888 e era íntimo de Santos Dumont (íntimo não por amizade e sim por contemporaneidade), o que Nei transporta para sua personagem nos versos “Seu Leitão nasceu no ano em que acabou a escravidão/Conheceu Doutor Alberto, o inventor do avião”, na mesma estrofe ele afirma que Seu Leitão “viu o enterro do Barão” e no mesmo depoimento ele conta a Fernando Faro que sua mãe lhe falava sobre o enterro do Barão do Rio Branco.
Nei manuseia as lembranças de sua infância como um metódico historiador a garimpar fontes documentais em um arquivo. Suas memórias emocionais são de fato a matéria-prima para a base textual de muitas de suas criações musicais.

Ainda o samba em análise, Nei Lopes menciona a Oswaldo Faustino, seu biógrafo, que seu irmão mais velho, Dayr, esteve na 2ª Guerra Mundial, assim como o protagonista do samba, o presepeiro Leitão: na Segunda Grande Guerra deu três tiros de canhão”.
Apesar da semelhança entre as epopeias de Seu Leitão e de Forrest Gump, cabe a ênfase da originalidade e anterioridade do samba do Nei, gravado por Roberto Ribeiro em 1983. O romance de Winston Groom só seria publicado em 1986. Nei Lopes reeditou esse samba dividindo os versos com o MPB-4, no álbum De Letra & Música, em 2001.

Ouça a versão com Nei Lopes e MPB-4, aqui:http://www.sambaderaiz.net/de-letra-e-musica-nei-lopes/

Extraído do livro “O ABC de Nei Lopes, o samba na aula de História”, a ser publicado, do mesmo autor desse artigo.
Autor: Ricardo Bispo
REFERÊNCIAS:
ELIAS, Cosme, O samba do Irajá e de outros subúrbios. Rio de Janeiro: Pallas, 2005, página 124 
FAUSTINO, Oswaldo, Nei Lopes, Retratos do Brasil Negro. São Paulo: Selo   Negro, 2009, páginas 98  a 102.

 FILHO, Rubens Ewald , O Oscar e eu, São Paulo: Cia Editora Nacional, 2003.


LOPES, Nei,  A música brasileira por seus autores e intérpretes, Vol. 8. CD nº 8 – SESC, São Paulo (Tv Cultura de Programa Ensaio de 2003 - Entrevista realizada 11/11/2003 por Fernando Faro).


sábado, 26 de outubro de 2013

Parece o Brasil

O grande Mia Couto falando sobre a Gala, o galardão de Moçambique, um concurso cultural que escolherá o melhor de Moçambique. Parece que o genial escritor nem está falando de seu país.

Parece que está falando do  Brasil:

"Estamos celebrando nessa Gala algo que, certamente, possui a intenção positiva de valorizar nosso país. Mas para usufruirmos o que aqui está a ser exaltado, as melhores praias, os melhores destinos turísticos, precisamos de saber ver o que nos cerca. 

Na realidade, em rigor, o melhor de Moçambique não pode ser selecionado em concurso. O melhor de Moçambique são os moçambicanos de todas etnias, todas as raças, todas as opções políticas e religiosas. 

O melhor de Moçambique é a gente trabalhadora anônima que, todos os dias, atravessa a cidade em viaturas transportados em condições que são uma ofensa à vida e à dignidade humanas.

(...) Porque a par deste galardão que distingue o melhor de Moçambique há um outro galardão, invisível mas permanente, que premeia o o pior de Moçambique. Todos os dias, o pior de Moçambique é premiado pela impunidade, pela cumplicidade e pelo silêncio".

Mia Couto, biólogo, romancista e poeta moçambicano








sexta-feira, 25 de outubro de 2013

VAGANDO EM VERSOS EU VIM

Hoje a música brasileira está de luto. Depois de 6 anos lutando contra um câncer, Paulinho Tapajós nos deixa. Deixa o Brasil órfão de mais um poeta. Numa época em que o cenário musical nacional está a míngua de músicas boas, o autor de pérolas como Sapato Velho, Cantiga por Luciana e Andanças (um clássico do cancioneiro urbano).

Paulinho reencontrará seu irmão Maurício nos jardins do Senhor e farão lindos sambas.

Descanse em paz Poeta!

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Arte Poética do Samba


PRELÚDIO DO ALVORECER



Quando senti você tocar em mim
tremulamente
Meu coração sorriu de euforia
Por entre os vãos horizontais da persiana
O luar bordou-se em listras em nossa cama

Seu gemido mavioso a pairar
Reverberando interjeições de prazer
Sonoplastia de um sonho bom
És o prelúdio do alvorecer

E a noite intercede a Cronos
Pra durar um pouco mais
Testemunhando que somos
O esplendor dos casais

E o sol jubilamente
desponta espargindo calor
No desfecho sublime
Do nosso encontro de amor



AUTORIA: Ricardo Bispo :

domingo, 15 de setembro de 2013

A cidade de S. Vicente estará bem representada na etapa estadual do Mapa Cultural Paulista, na categoria Literatura, subcategoria Poesia, com o belo poema Antigramatical, de Madeleine Alves.
Madeleine Alves

O júri do certame (promovido pela Secretaria  de Cultura do Estado-SP e a Abaçaí Cultura e Arte) qualificou o poema como ‘acima da média’.


Confiram o poema Antigramatical no post abaixo:

ANTIGRAMATICAL by Madeleine Alves


ESCREVO



Escrevo...
Sou escravo de um impulso
Subjuga o meu pulso
Resistir lhe não me atrevo

Transcrevo...
Por vazão à agonia
Ou por mera hipergrafia
Elucidar-me, será que devo?

Inscrevo...
Efêmeras definições
Eternas inquietações
Se avolumam neste acervo

Reescrevo...
Compulsório ato ou dom
Sou pedaço de Saigon
Incrustado em Saravejo

Escrevo...
E o fluxo em minha mente
Perpassa diuturnamente
Qual arauto medievo

Transcrevo...
Simples trivialidades
Que por subjetividades
São temas de grande relevo

Inscrevo...
Culpa da misantropia
E das idiossincrasias
Trago de tempos primevos

Reescrevo...
Prescrevo incessantemente
Feito água na corrente
No leito de um rio longevo


AUTORIA: Ricardo Bispo      
 

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Previsões da Arte

O mangá "Akira", da década de 1980, já havia previsto que a Olimpíada de 2020 seria no Japão, mais precisamente em Tóquio, decisão que saiu apenas no último sábado, em votação em Buenos Aires. A história em quadrinhos japonesa cita os Jogos de 2020 em diversas oportunidades durante a trama.

akira
A Olimpíada de Tóquio também é citada no filme de 1988, que é baseado no mangá. Em uma passagem do filme, pode ser visto um letreiro nas ruas com os dizeres "147 dias para a Olimpíada de Tóquio" e "com o esforço de todos, vamos fazer dos Jogos um sucesso".


Akira é um mangá criado por Katsuhiro Otomo e é considerado um dos clássicos do gênero. O longa-metragem de 1988 também também teve roteiro de Otomo.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

INTRIGANTE



As obras do VLT estão paradas no trecho entre o Canal 3 e o Canal 1 de Santos por causa de irregularidades e distorções do projeto original, e que oi aprovado, onde o veículo trafegaria sobre a rota antiga, para o atual onde trafegaria no meio das 2 pistas da Avenida Gal. Francisco Glicério, o que entendemos ser impraticável, pois ao fim da Glicério temos a Praça Washinton e o Orquidário Municipal, não teria como o VLT contornar.

 Alegaram que no traçado original atrapalharia as conversões das ruas transversais à Glicério (como se não ocorresse o problema das conversões e retornos com o trem entre as duas mãos da avenida). No trajeto antigo isso nunca foi um empecilho.

 Outro ponto que intriga é que nesse novo projeto o trecho na Glicério entre a aven. Conselheiro Nébias e o Canal 3 as obras seguem sobre a rota antiga,ou seja, o trem faria o percurso antigo até o Canal 3, depois o trilho cruzaria a avenida para a faixa do meio da Glicério, e depois do Canal 1 voltaria de novo pra rota original.

 Porque eles não admitem logo que mudança de última hora é uma reivindicação do Armênio Mendes, uma vez que na rota original o VLT passaria dentro do espaço do Mendes Convention e da Capital Disco (coincidentemente o único trecho onde o VLT rumaria pelo meio da avenida Francisco Glicério)

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

VLT e Nando pelas ruas do México 70

Em época de obras do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) em São Vicente, que bom recordar dos tempos do velho trem na Vila Margarida num trecho do romance Nando pelas ruas do México 70, parceria minha e de meu pai, Antônio Bispo e que logo, logo será publicada.




"Nando tornou a deitar. Meditava sobre sua vida, desde a infância agoniada pelo divórcio dos pais até a faculdade de Direito que trancara há dois meses. As pálpebras pesaram e o sono o envolveu numa redoma protetora contra as adversidades do ambiente. Ouvia ao longe o familiar taque-talaque, taque-talaque do trem-de-carga cortando a madrugada silente. A linha férrea que cruzava a Vila Margarida, nos subdistritos de Planalto Bela Vista e o Matteo Bei demarcava a fronteira com os bairros Beira-Mar e Esplanada dos Barreiros. Aquele som foi quem embalou Nando. A mesma via férrea que ligava a Vila Margarida a área continental de São Vicente, embrenhando-se rumo a Vila Ponte Nova, o Rio Branco, Jardim Quarentenário e etecéteras,  passava também por trás de sua casa ao sopé do morro do Itararé. Desde criança, habituara-se a adormecer sobre o som do vagar do trem. Por fim, dormiu ninado, mimado pelo cântico monótono dos dormentes nos trilhos longínquos."



sexta-feira, 16 de agosto de 2013

VEJO DEUS

.


                               Vejo Deus
                               Na nuvem que corre no céu.

                               Vejo Deus
                               Na brisa que sopra meu rosto.

                               Vejo Deus  
                                No sorriso inocente                                                                                                                      

                               Vejo Deus
                               No murmúrio das ondas no mar.

                               Vejo Deus
                               No voo da andorinha livre no ar.

                               Vejo Deus
                               No findar do dia, na noite a chegar.

                               Vejo Deus
                               No desabrochar de uma flor.

                               Vejo Deus
                               Entre um homem e uma mulher.

                               Vejo Deus
                               No verdadeiro amor


Antônio Bispo
São Paulo, SP, 1971
 Do Livro NAS ASAS DA ESPERANÇA, ed; Clube dos Autores, pag.89/90

terça-feira, 13 de agosto de 2013

A escritora que o Brasil esqueceu

O seu livro de estreia, Quarto de Despejo, publicada em 1960 teve tiragem inicial de dez mil exemplares (esgotados na primeira semana), e foi traduzido em 13 idiomas.





Carolina nasceu em Sacramento no dia 14 de março de 1914 e morreu em São Paulo em 13 de fevereiro de 1977.

Descoberta pelo  jornalista Audálio Dantas, Carolina Maria publicou também  Casa de Alvenaria (1961), Pedaços de Fome (1963), Provérbios (1963) e Diário de Bitita (1982), póstumo.

Sua obra é pautada pela denúnica social.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

NAS ASAS DA ESPERANÇA

Foi lançado o livro de poesia 'NAS ASAS DE ESPERANÇA' de Antônio Bispo (meu pai). Que além de poeta e matemático,é romancista.

Autor dos romances: Náufragos Corações, As aventuras de Neguinho Zé Cipó e Nando pelas ruas do México-70. Esse último em coautoria com o autor dessas linhas.

Meu pai, é um amante incorrigível dos livros. Leu muitos, vários autores. Agora chegou a hora de retribuir, de ser lido.


Bela capa; bela foto com a Ilha de Urubuqueçaba, ao fundo.

Não poderia haver melhor presente dos Dias dos Pais, quem conhece o seu Antônio, sabe disso.

Entrem no site da Editora e adquirem o seu exemplar:

https://www.clubedeautores.com.br/books/search?utf8=✓&what=antônio+bispo&sort&commit

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Até breve,molecão


Está confirmada a contratação do meia Bernard ao Shakhtar Donetsk da Ucrânia. Depois de brilhar na vitoriosa campanha do Atlético Mineiro na Copal Libertadores de América e a visibilidade com o título da Seleção na Copa das Confederações.

Por um contrato de 5 anos, o clube do leste europeu pagará 77 milhões de reais para o Galo de Minas. O Shakhtar é um dos clubes que mais tem brazucas em seu elenco. Num total de 11,além do brasileiro naturalizado croata , Eduardo da Silva.


Valeu Bernard,boa sorte na Europa


segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Erros que são acertos



O Incrível Hulk é um dos ícones do Universo Marvel.

Inspirados nos clássicos literários Frankenstein de Mary Shelley e o Médico e o Monstro, de Robert L. Stevenson, o genial roteirista Stan Lee (criador de Homem-Aranha, Homem de Ferro, Poderoso Thor, Quarteto Fantástico entre outros) e o desenhista Jack Kirby criaram o Gigante Verde, um verdadeiro sucesso no mundo das HQ.

Hulk é uma criatura de força descomunal e inteligência limitada. Incompreendido pelo povo e perseguido pelas Forças Armadas.

Talvez o fato mais curioso e que poucos sabem é que uma das marcas inconfundíveis do herói, a sua cor esverdeada, foi o resultado de uma falha editorial.

Ao ser concebido, os seus criadores imaginaram um monstro cinza, porém por erro da gráfica a primeira HQ do herói, The Incredible (1962) chegou às bancas com a cor verde que acabaria consagrando-o.


Nessa primeira história o cientista Bruce Banner é atingido por uma radiação depois de salvar um jovem que invadiu a área secreta de uma base americana no deserto, onde testavam uma bomba de raio gama.

Com o tempo, os roteiristas atribuíram uma variação cromática relacionada a alterações de humor do Dr. Banner. A forma verde seria a mais forte e irracional e a cinza seria um Hulk menos potente fisicamente, contudo, intelectualmente mais desenvolvido.

Em 2003, a Marvel Comics lançou a edição Hulk: Gray (Hulk: Cinza) um sucesso de vendas.
(fonte Coleção Mundo Estranho, O guia curioso dos super herois, pág.20/21. São Paulo: Ed. Abril, 2012).

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

DE REPENTE, UM CORDEL


Cipriano Berinjela
Não me assunte, tô feliz
Conheci foi uma dunzela
Que até parece mis
Dei tanto beijinho nela
Que ela me pediu foi bis

Óia Joaquim Chicória
Tu virô foi iscritô
Anda inventano estória
Ou dintão tu caducô
Essa mis é Ana Glória
Na verdade é Nicanor

Sai de retro seu manhoso
Num venha mi difamá
Tua fama de invejoso
Já correu o Grão-Pará
Òia queu já tô nevroso
É meió ocê pará

Tô dizeno só verdade
Todo mundo sabe bem
A pura realidade
Num iscondu de ninguém
Essa mis, essa beldade
Eu num dô nenhum vintém

Ocê dá esse parecê
Puisquê ocê é um dismazêlo
Deus num quis fazer ocê
Nem Diabo quis fazê-lo
Num dianta iscondê
Issu é dô de cutuvelo

Eu sô feio, reconheçu
E bonito só tu é
Tudo bem que eu pareçu
O Chifrudim bebeno mé
Mas eu nunca tivi apreçu
Por hômi quase muié

Óia seu fucim de boi
Agora tu apelô
Vô contá comé qui foi
Nosso incontru de amô
E vai confessá depois
Qui sempre mi invejô

Num perca o seu tempinho
Esse incontro eu sei dicó
Procurô um lugazinho
E quandu ficaro a só
Deu beijim no pescocinho
Viu que ela tinha gogó

Tá ruim de amargá
Essa tua safadeza
Ana Glória é um ingá
Uma deusa, uma princesa
Café e broa de fubá
Vai morá na minha mesa

Viu qui tava no aperreio
Ai, Jesus que vou fazê?
Diz, vô atendê correio
E depois tentô corrê
Pois foi apalpá o seio
Era limão, tu pôde vê

Nessa tua ideia vã
Num tem um cabra que caia
Que peitão, que buzanfã
Que baita rabu de saia
As duas Sheila do Tchan
Misturada a Cláudia Raia

Quase qui mijo de ri
Com esse teu papim de pose
A sua lôra do Tchan
Tava mais pro Aquíssel Rose
E a morena e a Claudia Raia
Era só Roberta Close

Ocê num me ingana, não
Zé furico, presepêro
Oferece o tamarindo
Para quem passá primêro
Pru cabra que tu acha lindo
Abre a tampa-do-farinheiro

Já se sabe lá na roça
Tudo aquilo qui cê fez
Pegô ela deu uma coça
Uma, duas e três vez
Adepois cuma voz grossa
Ela berrô É MINHA VEZ

Autoria: Ricardo Bispo











quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Um conto no canto


A chuva começava a cair e Esquerdinha se preocupou. A bola de couro com campo encharcado ficava mais pesada, pois absorvia muita água. Se tivesse falta perto da área pro Atlético Savóia bater, ele seria um dos que iriam pra barreira.

Aquela bola era bem melhor pra se jogar do que as de antigamente, o Dorme Sujo, centroavante coroa, que atua nos dois quadros, no principal e no veterano, asseverava:

- Essa de couro é costurada por dentro, não é como as de antes com amarração de cadarço por fora. E murchavam fácil. As de agora são caras, mas são boas e tem as bordas mais curvas na circunferência gerando menor tensão nas costuras quando chutadas. Além de tudo têm válvula de inflar internamente. - Dorme Sujo decorara e reproduzia sempre que surgisse a oportunidade a fala do vendedor da loja de artigos esportivos ao querer justificar o precinho salgado do artefato redondo.

Mas, que quando molhada a bola era o pesadelo dos goleiros e da turma da barreira, ah, isso era.

Península do Não-te-entendo

Contaminados pelo complexo de superioridade, os conquistadores europeus achavam que o mundo era seu quintal, dividiram a América e recortaram a África e depois brincaram de minha-mãe-mandou-escolher. Classificavam todos demais povos como atrasados, selvagens, tribais, pagãos e tudo quanto que é adjetivo desabonador. Eles eram os melhores, os evoluídos, os civilizados e nem se importavam com as gafes que cometiam (mostrando que não eram esse exemplo de cultura e erudição toda), como o erro crasso de chegar ao continente americano e julgar estar na Índia, chamando os nativos de índios e igualando povos de culturas, crenças e etnias tão diversas como os esquimós-aleútes,   Cherokees  e Moicanos da América Setentrional, os Aztecas, Maias e Zapotecas da América Central e os Incas, Mapuches e Tupinambás da América do Sul.
A paradisíaca Península de Yucatán, México

A Península de Yucatán, ao sul do Golfo do México, onde fica a paradisíaca Cancun é um exemplo do descaso que os conquistadores europeus tinham em relação a povos e culturas diferentes da sua.

Quando os espanhóis chegaram ao México no século XVI perguntaram aos nativos como se chamava aquele lindo lugar que haviam desembarcado.  

Os nativos, em sua própria língua, responderam algo que os exploradores entenderam como ‘Yucatán’ e assim batizaram a península sem desconfiar  que o que os nativos disseram na verdade foi: “Não te entendo”.


Exemplo clássico de etnocentrismo, ocasionando esse fato curioso. A Península de Yucatán, na língua nativa significa Península Não te entendo. 

ACENO DE MÃO DO ENTARDECER


Fotografia by Lígia Oliveira

Veja amor, nos braços do horizonte
É o Astro-Rei indo adormecer
No lençol do mar ele se esconde
É sublime o aceno de mão de entardecer

E o vento baila sussurrando os segredos
Da dama Noite que está prestes a chegar
Num carrossel ornamentado de estrelas
Vestido negro enfeitado de luar

E esse encanto... esse esplendor da natureza
Um cenário feito pelas próprias mãos de Deus
O Criador que inventou toda beleza
Só pros meus olhos derramarem-se nos seus

Ricardo Bispo