Não foram os nordestinos!
Foi a inabilidade de Aécio em fazer migrar pra si os eleitores de Marina Silva, somados ao desempenho pífio no estado do Rio de Janeiro (onde morou) , igualmente em sua terra natal (onde governou por duas vezes, foi senador, fez do desconhecido Antonio Anastasia governador e agora, esse ano, senador), além de erros estratégicos pontuais durante a campanha, como por exemplo, o anúncio prévio de Armínio Fraga como futuro ministro (tiro de escopeta que saiu pela culatra), e outras apostas equivocadas que fizeram Aécio Neves perder a eleição. Não os eleitores dos estados nordestinos.
Se a diferença entre Dilma e Aécio foi de 3,4 milhões e o total de abstenções, votos nulos e brancos somaram os expressivos 30 milhões (equivalente a dez vezes mais a quantidade de votos que o separou de Dilma), fica evidente que faltou ao candidato tucano argumentos convincentes para que esse montante de eleitores que não votaram nem nele e nem em Dilma, acreditassem em seu projeto de mudança e melhoria no cenário social brasileiro.
Culpar eleitores do Nordeste do país é atitude simplista (alem de preconceituosa) e ignora-se que a derrota de Aécio responde a muitos fatores. O resultado das urnas causa, aos perdedores, inevitável sensação de frustração, isso é comum e natural, mas, como demonstrou Sigmund Freud, um dos mecanismos do ego para lidar com a frustração é a agressividade.
Parafraseando o filósofo Epicuro: ' quer conhecer Fitocles? Deixe que ele experimente o amargo fruto da contrariedade'
Em tempo, o programa de transferência de renda condicionada que parece motivar a onda de intolerância aqui no Tucanistão, deveria ser motivo para uma votação mais irrisória do candidato psdbista, por coerência, oras, Aécio Neves anunciou por mais de uma vez nesse segundo turno que não só manteria o Bolsa Família, como ampliaria, além de, em meios a elogios, arrogar a paternidade do Programa ao seu partido.
Nem todo nordestino recebe Bolsa Família, nem todo nordestino votou na Dilma, tem paulista, gaúcho, carioca, mineiro, catarinense, goiano que recebe.
Enfim, Aécio foi ineficaz em tirar proveito dos 38% de reprovação do Governo Dilma, registrado há quatro meses, em junho (o maior índice de seu mandato), e nem do desejo de mudança de 70% de brasileiros, cravejado no fim do ano passado.
Não foram os nordestinos, Aécio.
Seja por DOM OU MAGIA/ a minha poesia é bem natural (Santaninha, Barbosinha, Rubens Gordinho e Clóvis)
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
domingo, 19 de outubro de 2014
TANCREDO ACABOU COM UMA DITADURA? Os papéis dos Neves durante o Regime repressivo e o de Dilma Rousseff
Sugestiva
e apeladora (e apelativa) a montagem que corre redes sociais afora, com a
emblemática frase de efeito : ‘Tancredo acabou com uma Ditadura, Aécio acabará com outra’, mas cabe uma reflexão sobre os papéis sociais exercidos por
Tancredo Neves, o seu neto, Aécio Neves (atual candidato à presidência) e Dilma
Roussef (adversária de Aécio no atual pleito) durante a vigência da Ditadura
civil-militar no Brasil.
Por
ter sido o primeiro presidente civil após a abertura política dos anos 1980,
eleito por voto indireto (e pela aura que recaiu sobre seu nome dada a
circunstância de sua morte e a comoção nacional por ela suscitada) a imagem de
Tancredo Neves é associada, no imaginário popular, pelo combate a Ditadura
Militar.
De
fato, Tancredo integrou o MDB (partido oposicionista ao partido da situação, o
ARENA) mas daí elevá-lo ao patamar de herói libertário é incongruente para alguém
que jamais denunciou as atrocidades e arbitrariedades encetadas pelos
militares, ocupando, durante o Regime, o que era chamada de ala moderada do
MDB, os que na oposição evitavam atritos mais acirrados com os governistas.
Talvez
essa proximidade com os militares explique a aceitação de seu nome a candidato
a presidência em 1985 pelo Colégio Eleitoral, ou alguém teria a ingenuidade de
acreditar que os militares permitiriam a indicação de algum ferrenho opositor
do antigo Regime? Tudo que eles não queriam era a abertura dos chamados Documentos
Secretos (o que ocorreu nos últimos doze anos, quando a elite deixou o Governo).
É
emblemática a posição reticente de José Sarney (vice- presidente de Tancredo em
1985) relacionada a abertura dos arquivos secretos, declarando, recentemente,
que era melhor deixar esses registros na condição de sigilo eterno: 'Não podemos fazer o WikiLeaks da história do Brasil', afirmou, o ex-presidente da República.
Com
a instituição do bipartidarismo, em 1966, Tancredo Neves foi convidado a se
filiar ao ARENA, convite recusado pelo fato de seu arquirrival Magalhães Pinto integrar
as fileiras do tal partido (e não porque
a ARENA representava o Regime opressivo). No MDB (que daria lugar ao PMDB, com
a abertura democrática), Tancredo Neves foi polido e amistoso com os
generais-presidentes. Talvez essa relação amigável explique o fato de Tancredo
ter sido um dos poucos aliados de João Gourlat a não ter os direitos políticos cassados
pelos militares em 1964. Cabe lembrar que Tancredo fora nada mais, nada menos,
que primeiro-ministro do governo Jango.
Tancredo
Neves nunca entrou na clandestinidade, jamais integrou a luta armada, jamais
sentiu na pele os torturantes choques de alta voltagem da opressão e da
repressão. Dilma Roussef sim. Enquanto a atual Presidente da República estava
na trincheira urbana lutando em prol da democracia e pelo fim da Ditadura. Onde
estava Tancredo? Transitando confortavelmente pelos corredores palacianos
naquele jogo de faz-de-conta que era a oposição oficial ao Regime Militar. E o
neto dele? Onde estava?
terça-feira, 30 de setembro de 2014
A Bíblia, Questão de Gênero e a Intolerância
Penso que usar a Bíblia (e toda a sua ambiguidade) para negar direitos civis a casais homoafetivos reproduz a mesma postura dogmática medieval que interditava às mulheres de partilharem dos mesmos direitos usufruidos pelos homens, amparando o discurso excludente em premissas bíblicas, indo da narrativa mítica do Jardim do Éden, no Velho Testamento à passagem da Mulher Adúltera do Novo Testamento.
sábado, 27 de setembro de 2014
VOTE CONSCIENTE: Comunidade Carente, Zeca Pagodinho
Eu moro numa comunidade carente
Lá ninguém liga pra gente
Nós vivemos muito mal
Mas esse ano nós estamos reunidos
Se algum candidato atrevido
For fazer promessa vai levar um pau
Vai levar um pau
Pra deixar de caô e ser mais solidário
Nós somos carentes, não somos otários
Pra ouvir blablablá em cada eleição
Nós já preparamos vara de marmelo e arame farpado
Cipó-camarão para dar no safado
Que for pedir voto na jurisdição
É que a galera já não tem mais saco
Pra aturar pilantra
Estamos com eles até a garganta
Aguarde pra ver a nossa reação
AUTORIA: Marquinho Diniz, Luiz Grande e Barbeirinho do Jacarezinho
https://www.youtube.com/watch?v=aD2nxYJilsg
Salve Cosme e Damião
'Vinte e sete de setembro
Eu sempre me lembro
Não esqueço de dar
Cocada, paçoca, suspiro, pipoca,
Bolo, bala, bola, cuscuz e manjar'
FALANGE DO ERÊ
(Aluisio Machado, Jorge Carioca e Arlindo Cruz)
https://www.youtube.com/watch?v=T2KGiLc0ETY
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
PÁGINAS DO BRASIL: O Pagador de Promessas
"Devem ser, aproximadamente, quatro e meia da manhã. Tanto a igreja como a vendola estão com as suas portas cerradas. Vem de longe o som dos atabaques dum candomblé distante, no toque de Iansã. Decorrem alguns segundos até que Zé-do-Burro surja, pela rua da direita, carregando nas costas uma enorme e pesada cruz de madeira. A passos lentos, cansados, entra na praça, seguido de Rosa, sua mulher (...) Zé-do-Burro vai até o centro da praça e aí pousa a sua cruz, equilibrando-a na base e num dos braços, como um cavalete. Está exausto. Enxuga o suor da testa".
O PAGADOR DE PROMESSAS - Dias Gomes
O PAGADOR DE PROMESSAS - Dias Gomes
sábado, 13 de setembro de 2014
Legbaraiá ô!
Chega aos cinemas agora em setembro o filme 'Rio de Janeiro, Eu Te Amo', uma sequência de curtas-metragens ambientados na Cidade Maravilhosa, dirigidos por vários diretores, entre brasileiros e estrangeiros, e um grande elenco. Inevitável não lembrar da polêmica envolvendo a Cúria Metropolitana do Rio de Janeiro, na pessoa do Cardeal Dom Orani Tempesta e o cineasta José Padilha (Tropa d Elite I e II, Robocop) diretor de 'Inútil Paisagem' que traz o ator Wagner Moura como um instrutor de asa-deltas que num sobrevoo pela a Pedra Bonita medita sobre questões existenciais e desabafa com o Cristo Redentor, ato que foi considerado desrespeitoso pelos religiosos, ameaçando proibir o uso da imagem da estátua.
O que na sequência me levou a lembrar de outro episódio sobre os paradoxos e ambiguidades do Estado laico brasileiro e a sua relação com a Igreja Católica envolvendo a estátua do Cristo Redentor, dicotomicamente, monumento turístico, simbolo nacional, elemento da identidade carioca e imagem sacro-religiosa, no que diz respeito a proibição da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis desfilar com uma alegoria em seu carro abre-alas que reproduzia o monumento carioca, no carnaval de 1989.
O atrito entre Estado e Igreja envolvendo a estátua do Cristo se deve pelo fato do monumento ter sido erguido numa área cedida pela União à Arquidiocese do Rio , nos anos 1930. O acesso ao Redentor é feito através do Parque Nacional da Tijuca, propriedade do Governo Federal. No caso do filme o Ministério da Cultura interveio e a Igreja Católica recuou e autorizou o uso da imagem.
Essa ingerência de setores ligados a grupos religiosos em manifestações artísticas tem retroalimentado o debate sobre a laicidade no Estado brasileiro.
A Beija-Flor que conquistou muitos títulos do carnaval carioca ultimamente, tem no desfile de 1989, o qual ela não se sagrou campeã, como um dos momentos mais marcantes de sua vivência no universo do samba.
Quando a escola de Nilópolis adentrou na avenida na manhã daquela terça-feira, 06 de fevereiro, o última vez que teria Pinah como sua passista-destaque, o público não podia imaginar o que estava por vir ( e faltava ainda o desfile da Império Serrano com um enredo sobre Jorge Amado, o primeiro samba de Arlindo Cruz na passarela). Querendo responder aos que lhe criticavam por sua estética suntuosa, com carros alegóricos colossais e fantasias exuberantes, no sentido de sua frase lapidar: 'quem gosta de miséria é intelectual, pobre gosta é de luxo', o carnavalesco Joãosinho Trinta e o seu 'do lixo ao luxo' encantou a plateia atônita com as alas de mendigos que invadiam a Marquês de Sapucaí. Nunca é de mais lembrar que o público estava ainda extasiado com o desfile da União da Ilha no dia anterior, na ressaca de um verdadeiro 'porre de felicidade que sacudiu e zuou toda a cidade', versos inesquecíveis de Franco Lattari, um dos maiorais do samba de enredo da década de 80, autor de sete sambas enredos da agremiação insulana. Bujão e J. Brito também assinaram esse samba, cujo enredo era Festa Profana.
Naquela segunda-feira, a Beija-Flor sucedia as coirmãs Portela, Unidos da Tijuca, São Clemente, Estácio de Sá, Unidos de Vila Isabel (que defendia o título) e a Imperatriz Leopoldinense que se sagraria campeã, numa apuração tete a tete com a mesma Beija-Flor. O enredo da alviverde de Ramos foi o seu antológico "Liberdade!Liberdade! Abre as asas sobre nós', que recentemente se tornou o primeiro samba de enredo a ser tema de abertura de uma a novela. 'Lado a Lado' da Globo.
Os excelsos representantes da Madre Igreja não admitiriam a associação da imagem do Cristo Redentor a uma festa mundana e libidinosa. "Carnaval, festa da carne!" diriam talvez, ecoando no silêncio das sacristias e esqueciam que o simpático Karol Wojtila, o Papa João Paulo II, em sua primeira visita ao Brasil, em 1980 lamentou o fato de não poder assistir a um desfile de escola de samba.
O chamado Cristo Mendigo, veio para a avenida coberto por um enorme plástico com os dizeres em letras garrafais 'MESMO PROIBIDO, OLHAI POR NÓS', iniciativa do diretor de carnaval Laíla, e não do carnavalesco Joãosinho Trinta, como muita gente crê.
Mas o que mais me chamou a atenção nisso tudo, não foi a pendenga com o filme do Padilha, nem a implicância diocesana com o carnaval nilopolitano. E sim foi a justificativa do jurado de samba-enredo João Máximo, jornalista e crítico musical, que retirou o título merecidíssmo à Beija-Flor; ela e a Imperatriz Leopoldinense terminaram a apuração empatadas, ambas com 210 pontos e o quesito de desempate era o samba de enredo. A Imperatriz obteve 30 (dez barra dez) e a Beija 29, perdeu 1 ponto porque o citado jurado considerou que o refrão Legbara ô/ ô ô ô/ Legba ô Legabará/ laiá laiá, não tinha relação com o tema proposto, sem saber que os versos aludem a Exú, o donos das encruzilhadas, protetor do povo das ruas, também chamado de Legba, Legbara, Elegbara e Eleguara, tudo haver com o enredo, demonstrando o descompasso entre a cultura popular e os saberes afro-brasileiros e o pensamento elitista dos intelectuais que passou a dominar a festa popular (e eminentemente negra) que é o Carnaval carioca.
O citado jurado, por incrível que pareça, nos idos de 1966, foi um dos autores do livro 'O negro no Brasil', lançado no Festival de Arte Negra, em Gana.
O que na sequência me levou a lembrar de outro episódio sobre os paradoxos e ambiguidades do Estado laico brasileiro e a sua relação com a Igreja Católica envolvendo a estátua do Cristo Redentor, dicotomicamente, monumento turístico, simbolo nacional, elemento da identidade carioca e imagem sacro-religiosa, no que diz respeito a proibição da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis desfilar com uma alegoria em seu carro abre-alas que reproduzia o monumento carioca, no carnaval de 1989.
![]() |
| O enredo desse carnaval foi o sugestivo 'Ratos e Urubus larguem a minha fantasia' |
O atrito entre Estado e Igreja envolvendo a estátua do Cristo se deve pelo fato do monumento ter sido erguido numa área cedida pela União à Arquidiocese do Rio , nos anos 1930. O acesso ao Redentor é feito através do Parque Nacional da Tijuca, propriedade do Governo Federal. No caso do filme o Ministério da Cultura interveio e a Igreja Católica recuou e autorizou o uso da imagem.
Essa ingerência de setores ligados a grupos religiosos em manifestações artísticas tem retroalimentado o debate sobre a laicidade no Estado brasileiro.
A Beija-Flor que conquistou muitos títulos do carnaval carioca ultimamente, tem no desfile de 1989, o qual ela não se sagrou campeã, como um dos momentos mais marcantes de sua vivência no universo do samba.
Quando a escola de Nilópolis adentrou na avenida na manhã daquela terça-feira, 06 de fevereiro, o última vez que teria Pinah como sua passista-destaque, o público não podia imaginar o que estava por vir ( e faltava ainda o desfile da Império Serrano com um enredo sobre Jorge Amado, o primeiro samba de Arlindo Cruz na passarela). Querendo responder aos que lhe criticavam por sua estética suntuosa, com carros alegóricos colossais e fantasias exuberantes, no sentido de sua frase lapidar: 'quem gosta de miséria é intelectual, pobre gosta é de luxo', o carnavalesco Joãosinho Trinta e o seu 'do lixo ao luxo' encantou a plateia atônita com as alas de mendigos que invadiam a Marquês de Sapucaí. Nunca é de mais lembrar que o público estava ainda extasiado com o desfile da União da Ilha no dia anterior, na ressaca de um verdadeiro 'porre de felicidade que sacudiu e zuou toda a cidade', versos inesquecíveis de Franco Lattari, um dos maiorais do samba de enredo da década de 80, autor de sete sambas enredos da agremiação insulana. Bujão e J. Brito também assinaram esse samba, cujo enredo era Festa Profana.
Naquela segunda-feira, a Beija-Flor sucedia as coirmãs Portela, Unidos da Tijuca, São Clemente, Estácio de Sá, Unidos de Vila Isabel (que defendia o título) e a Imperatriz Leopoldinense que se sagraria campeã, numa apuração tete a tete com a mesma Beija-Flor. O enredo da alviverde de Ramos foi o seu antológico "Liberdade!Liberdade! Abre as asas sobre nós', que recentemente se tornou o primeiro samba de enredo a ser tema de abertura de uma a novela. 'Lado a Lado' da Globo.
Os excelsos representantes da Madre Igreja não admitiriam a associação da imagem do Cristo Redentor a uma festa mundana e libidinosa. "Carnaval, festa da carne!" diriam talvez, ecoando no silêncio das sacristias e esqueciam que o simpático Karol Wojtila, o Papa João Paulo II, em sua primeira visita ao Brasil, em 1980 lamentou o fato de não poder assistir a um desfile de escola de samba.
O chamado Cristo Mendigo, veio para a avenida coberto por um enorme plástico com os dizeres em letras garrafais 'MESMO PROIBIDO, OLHAI POR NÓS', iniciativa do diretor de carnaval Laíla, e não do carnavalesco Joãosinho Trinta, como muita gente crê.
Mas o que mais me chamou a atenção nisso tudo, não foi a pendenga com o filme do Padilha, nem a implicância diocesana com o carnaval nilopolitano. E sim foi a justificativa do jurado de samba-enredo João Máximo, jornalista e crítico musical, que retirou o título merecidíssmo à Beija-Flor; ela e a Imperatriz Leopoldinense terminaram a apuração empatadas, ambas com 210 pontos e o quesito de desempate era o samba de enredo. A Imperatriz obteve 30 (dez barra dez) e a Beija 29, perdeu 1 ponto porque o citado jurado considerou que o refrão Legbara ô/ ô ô ô/ Legba ô Legabará/ laiá laiá, não tinha relação com o tema proposto, sem saber que os versos aludem a Exú, o donos das encruzilhadas, protetor do povo das ruas, também chamado de Legba, Legbara, Elegbara e Eleguara, tudo haver com o enredo, demonstrando o descompasso entre a cultura popular e os saberes afro-brasileiros e o pensamento elitista dos intelectuais que passou a dominar a festa popular (e eminentemente negra) que é o Carnaval carioca.
O citado jurado, por incrível que pareça, nos idos de 1966, foi um dos autores do livro 'O negro no Brasil', lançado no Festival de Arte Negra, em Gana.
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
Glória, Eva Angélica
Rabinos se indignaram com a apropriação de símbolos judaicos como peças decorativas do Templo de Salomão, inaugurado pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) . Para ortodoxos o bispo Edir Macedo é um ator e o templo um mero cenário. A Federação Israelita se sentiu 'lisonjeada'
Sábado passado teve início a 31ª Bienal de São Paulo que vai até 7 de dezembro e a grande sensação no Pavilhão do Ibiapuera, foi a exibição do curta Inferno, do israelense Yael Bertana, ficção de 22 minutos que simula a implosão do Templo de Salomon da Universal. O galpão de uma escola de samba no Parque Villa-Lobos, centro de São Paulo, foi usado para as filmagens que custou R$ 1 milhão bancados pela galeria de Nova Iorque Petzel. Veja trechos do filme no link abaixo:
https://www.youtube.com/watch?v=KiZ6uPimkzE
A Universal tenta reproduzir uma 'Jerusalém' da época do Cristo, criando em suas dependências um ambiente judaico-cristão, querendo talvez dar uma maior legitimidade e autenticidade de suas premissas teológicas em detrimento das demais igrejas de orientação cristã (que não são poucas).
Esquecem, os amados irmãos, que Jesus identificava na suntuosidade do Templo de Salomão (o qual Cristo vaticinou que não sobraria pedra sobre pedra) o símbolo do poder temporal, transitório e iludente dos bens mundanos, tesouros que a traça corrói.
O Cristo preferia a simplicidade das sinagogas do interior da Galileia; preferia pregar em barcos rústicos dos pescadores de Cafarnaum ancorados às margens do mar de Tiberíades; proferia seus Sermões nas montanhas e não nos átrios em mármore e alabastro como nos da Grande Fortaleza em Cesareia de Felipe, tampouco os púlpitos de seda e ouro do Templo, agora reerguido em São Paulo faraonicamente pelo Sumo-Sacerdote Edir Macedo.
Orçado pela bagatela de R$ 680 milhões, numa área construída superior a 500 m². Com a presença da atual Presidente da República, do Governador do Estado e do prefeito da Capital paulista, em sua inauguração em 31/07/2014, a obra não teve o seu projeto de reforma aprovado pela Prefeitura de São Paulo e nem obteve o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros.
Vendo tudo isso chego a inevitável conclusão é que quase conseguiram reproduzir fielmente o Templo bíblico.
Esqueceram apenas de um detalhe: no Templo original os vendilhões ficavam do lado de fora!
Sábado passado teve início a 31ª Bienal de São Paulo que vai até 7 de dezembro e a grande sensação no Pavilhão do Ibiapuera, foi a exibição do curta Inferno, do israelense Yael Bertana, ficção de 22 minutos que simula a implosão do Templo de Salomon da Universal. O galpão de uma escola de samba no Parque Villa-Lobos, centro de São Paulo, foi usado para as filmagens que custou R$ 1 milhão bancados pela galeria de Nova Iorque Petzel. Veja trechos do filme no link abaixo:
https://www.youtube.com/watch?v=KiZ6uPimkzE
A Universal tenta reproduzir uma 'Jerusalém' da época do Cristo, criando em suas dependências um ambiente judaico-cristão, querendo talvez dar uma maior legitimidade e autenticidade de suas premissas teológicas em detrimento das demais igrejas de orientação cristã (que não são poucas).
Esquecem, os amados irmãos, que Jesus identificava na suntuosidade do Templo de Salomão (o qual Cristo vaticinou que não sobraria pedra sobre pedra) o símbolo do poder temporal, transitório e iludente dos bens mundanos, tesouros que a traça corrói.
O Cristo preferia a simplicidade das sinagogas do interior da Galileia; preferia pregar em barcos rústicos dos pescadores de Cafarnaum ancorados às margens do mar de Tiberíades; proferia seus Sermões nas montanhas e não nos átrios em mármore e alabastro como nos da Grande Fortaleza em Cesareia de Felipe, tampouco os púlpitos de seda e ouro do Templo, agora reerguido em São Paulo faraonicamente pelo Sumo-Sacerdote Edir Macedo.
Orçado pela bagatela de R$ 680 milhões, numa área construída superior a 500 m². Com a presença da atual Presidente da República, do Governador do Estado e do prefeito da Capital paulista, em sua inauguração em 31/07/2014, a obra não teve o seu projeto de reforma aprovado pela Prefeitura de São Paulo e nem obteve o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros.
Vendo tudo isso chego a inevitável conclusão é que quase conseguiram reproduzir fielmente o Templo bíblico.
Esqueceram apenas de um detalhe: no Templo original os vendilhões ficavam do lado de fora!
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
ARTE POÉTICA: Onde repousa a poesia
Onde repousa a poesia
se ela não cabe na concretude das palavras dispostas
sobre a superfície bidimensional de um gélido papel
tampouco cabe ela no ritmo modulado pela oralidade da voz humana
tão efêmera e fugaz quanto o doce som do farfalhar da brisa tênue nos juncais
Se não é no jogo de grafemas e fonemas, no quebra-cabeça de rimas, métricas e metonímias
Onde ela está então, se o poema é tão-só um traço gráfico
como a partitura é para a música e a aquarela para o bucólico
A poesia repousa na intersubjetividade que conecta poeta-poema-leitor
ou ouvinte, ou amante, ou um maluco que julga ver nas pedras em limo,
no riso do velho na praça, nas luzes da cidade refletida nas lentes dos óculos de alguém,
ou na aranha que tece sua teia em espiral, primazia sutil
RICARDO BISPO
DEUSAS DO ÉBANO: Feeva D.
DA COR DO FUTEBOL - TOMO 3
A questão do racismo dentro dos estádios de futebol no Brasil é um tema que debatemos aqui já algum tempo. Como podem conferir nas postagens mais antigas.
Tema em voga com o mais recente caso envolvendo alguns torcedores do Grêmio e o goleiro do Santos FC, Aranha, até por causa da repercussão, como a identificação pela câmeras televisivas de uma torcedora, depois soube-se ser sócia do clube, assim também como a punição por parte do STJD (Supremo Tribunal de Justiça Desportiva) tanto do árbitro e seus auxiliares, quanto da entidade Grêmio de Futebol Porto-alegrense.
E por essa exposição muito tem se falado, muito tem se discutido.
As redes sociais exerceram papel preponderante, dizem até na pena máxima e inédita dada ao clube gaúcho em regime de unanimidade. As mesmas redes sociais onde há pouco mais de dois meses, dia 4/07, brasileiros (não só gremistas, óbvio) ofendiam com xingamentos racistas o lateral colombiano Zuñiga por ter cometido uma falta desleal em Neymar, tirando o craque da Seleção Canarinho da Copa.
Indo um pouquinho mais longe, no dia 12/06, jogo de abertura da Copa e o gol contra de Marcelo foi o suficiente para espocar em twitters e facebooks injúrias racistas do tipo (só podia ser...) ou (vai cortar esse cabelo de...), onda de ofensas brecadas pelo resultado favorável ao fim do jogo. Que o Brasil perdesse de 1 a 0 logo na estreia com esse gol (que foi mais falha do Oscar por perder a bola num descuido, ou do erro de marcação nas costas do lateral Daniel Alves, do que do próprio Marcelo) e veríamos a face virtual do secular e atávico racismo de nós, brasileiros se manifestar.
Desse caso mais recente dois pontos me chamaram mais a atenção. A postura condescendente do árbitro Wilton Sampaio seguindo a mesma linha adotada comumente pelas autoridades brasileiras nos plantões policiais e nos fóruns judiciais, em casos dessa natureza que tendem a minimizar agressões raciais até pelo caráter subjetivo de muitas delas, (por mais explícitas e contundentes que sejam), o que as torna passíveis de crivos interpretativos.
Compelido pela repercussão do caso na mídia e na internet ele enviou um adendo, cujo teor, acabou por lhe comprometer ainda mais por sua omissão. Não tendo relatado nada na súmula da partida sobre o ocorrido, o árbitro de Goiás enviou à posteriori um adendo para anexar à súmula onde relatava que jogadores do Santos lhe alertaram sobre injúrias racistas dirigidas por torcedores gremistas ao goleiro Aranha.
Se ele foi alertado pelos jogadores dentro de campo, na hora do ocorrido, porque se calou? Ao contrário, imagens captadas e depoimento da vítima confirmam que ele, árbitro repreendeu o ofendido, como se estivesse incitando a torcida rival. Essa postura omissa e conivente é frequente por parte das autoridades, reflexo inconsciente, talvez, do mito da democracia racial que prega que no Brasil (como se aqui fosse um paraíso idílico, a Terra do Nunca, ou o Fantástico Mundo de Oz) não há preconceitos raciais.
Outro ponto que chamou a atenção foi o discurso de Patrícia Moreira, que a chamaremos, doravante, Patricinha. É flagrante a preocupação dela em se redimir junto ao Grêmio e a de pontuar sua condição de 'não-racista', cá pra nós, o pedido de perdão ao Aranha veio no pacote. E não vem ao caso saber se ela é um ser-humano racista ou não. Ela cometeu um ato de racismo. Pronto. Não há métodos de aferição psicológicos que podem provar isso. Como diria meu avô Vavá Coice-de-burro 'coração e pensamento alheio é terra que ninguém passeia'.
O advogado dela, fazendo o que lhe compete, tenta desqualificar a acusação de injúria racial, com o argumento de que o xingamento 'macaco' em campo de futebol não tem conotação racista e pra piorar compara com a mãe dos juízes, 'louvadas' a cada erro de arbitragem. É piada? É lógico que o xingamento racista foi no intuito de se desestabilizar o adversário. Mas péraê! Xingamento racista é crime! Temos leis nesse país. É vale tudo, é? Daqui a pouco com a desculpa de querer apenas desconcentrar o adversário vamos liberar os feixes de luz laser, rojões para jogar no gramado, cusparadas em quem for cobrar escanteios. O advogado dela deve conhecer os meandros da Lei 7.437, a Lei Caó, imagino eu.
O ar contrito de Patricinha sinceramente não me convenceu nem despertou comiserações. Soou mais como um gesto de desespero para ver se consegue se safar dessa sinuca-de-bico que entrou, inadvertidamente, por escolha própria. (Querer se eximir de um crime alegando ter 'se deixado levar' pelos demais que também cometiam o mesmo crime, é o mesmo que alguém flagrado depredando uma agência bancária ou saqueando uma loja alegar que não tem culpa, pois fora no embalo dos outros).
Seu choro sem lágrimas revelou mais a angústia de quem se vê exposta por toda essa situação, tendo a imagem correndo o mundo e ainda o peso do complexo de culpa de ver o seu amado e querido Grêmio excluído da competição no qual é o grande especialista, do que um choro oriundo de reflexões pelo seu ato impensado (ou não).
Quando se diz arrependida do que fez, ai, sim acredito. Arrependida por ter perdido o emprego no dia seguinte. Arrependida por ter sido expulsa dos quadros de sócios gremistas. Arrependida por saber que será sempre persona non grata nas dependências do Estádio Olímpico, Arrependida por ter sua vida pessoal e dos familiares revirada de um dia pro outro. Arrependida por ter que agora responder a um constrangedor processo por injúria racial, que para um brasileiro, tão acostumado com o chamado racismo à brasileira, o qual discrimina sutilmente e que quando, porventura, é desvelado, quem se descuidou e revelou seu verdadeiro rosto, é achincalhado nesse imenso Baile de Máscaras que é a sociedade brasileira.
É Patricinha. Infeliz momento aquele que o câmera-man resolveu te focar. Com seu rostinho de figurante da novela Malhação, rostinhos que as tevês adoram buscar durante as transmissões futebolísticas, te flagrou com a boca na botija, de modo que nem foi preciso os especialistas em leitura labial.
Dizer que aquele 'macaco' não foi racismo seu, que foi porque o Grêmio estava perdendo ( é perante revezes e frustrações que as 'máscaras sociais' caem e mostramos quem somos), dizer que foi no calor do jogo lembra as cenas recorrentes no trânsito de nossas cidades, quando um motorista racista leva uma 'fechada' e se certifica que o outro condutor é negro o ofende com xingamentos preconceituosos e depois tenta se justificar na frente das autoridades que foi só no calor da discussão de trânsito.
Tema em voga com o mais recente caso envolvendo alguns torcedores do Grêmio e o goleiro do Santos FC, Aranha, até por causa da repercussão, como a identificação pela câmeras televisivas de uma torcedora, depois soube-se ser sócia do clube, assim também como a punição por parte do STJD (Supremo Tribunal de Justiça Desportiva) tanto do árbitro e seus auxiliares, quanto da entidade Grêmio de Futebol Porto-alegrense.
E por essa exposição muito tem se falado, muito tem se discutido.
As redes sociais exerceram papel preponderante, dizem até na pena máxima e inédita dada ao clube gaúcho em regime de unanimidade. As mesmas redes sociais onde há pouco mais de dois meses, dia 4/07, brasileiros (não só gremistas, óbvio) ofendiam com xingamentos racistas o lateral colombiano Zuñiga por ter cometido uma falta desleal em Neymar, tirando o craque da Seleção Canarinho da Copa.
Indo um pouquinho mais longe, no dia 12/06, jogo de abertura da Copa e o gol contra de Marcelo foi o suficiente para espocar em twitters e facebooks injúrias racistas do tipo (só podia ser...) ou (vai cortar esse cabelo de...), onda de ofensas brecadas pelo resultado favorável ao fim do jogo. Que o Brasil perdesse de 1 a 0 logo na estreia com esse gol (que foi mais falha do Oscar por perder a bola num descuido, ou do erro de marcação nas costas do lateral Daniel Alves, do que do próprio Marcelo) e veríamos a face virtual do secular e atávico racismo de nós, brasileiros se manifestar.
Desse caso mais recente dois pontos me chamaram mais a atenção. A postura condescendente do árbitro Wilton Sampaio seguindo a mesma linha adotada comumente pelas autoridades brasileiras nos plantões policiais e nos fóruns judiciais, em casos dessa natureza que tendem a minimizar agressões raciais até pelo caráter subjetivo de muitas delas, (por mais explícitas e contundentes que sejam), o que as torna passíveis de crivos interpretativos.
Compelido pela repercussão do caso na mídia e na internet ele enviou um adendo, cujo teor, acabou por lhe comprometer ainda mais por sua omissão. Não tendo relatado nada na súmula da partida sobre o ocorrido, o árbitro de Goiás enviou à posteriori um adendo para anexar à súmula onde relatava que jogadores do Santos lhe alertaram sobre injúrias racistas dirigidas por torcedores gremistas ao goleiro Aranha.
Se ele foi alertado pelos jogadores dentro de campo, na hora do ocorrido, porque se calou? Ao contrário, imagens captadas e depoimento da vítima confirmam que ele, árbitro repreendeu o ofendido, como se estivesse incitando a torcida rival. Essa postura omissa e conivente é frequente por parte das autoridades, reflexo inconsciente, talvez, do mito da democracia racial que prega que no Brasil (como se aqui fosse um paraíso idílico, a Terra do Nunca, ou o Fantástico Mundo de Oz) não há preconceitos raciais.
Outro ponto que chamou a atenção foi o discurso de Patrícia Moreira, que a chamaremos, doravante, Patricinha. É flagrante a preocupação dela em se redimir junto ao Grêmio e a de pontuar sua condição de 'não-racista', cá pra nós, o pedido de perdão ao Aranha veio no pacote. E não vem ao caso saber se ela é um ser-humano racista ou não. Ela cometeu um ato de racismo. Pronto. Não há métodos de aferição psicológicos que podem provar isso. Como diria meu avô Vavá Coice-de-burro 'coração e pensamento alheio é terra que ninguém passeia'.
O advogado dela, fazendo o que lhe compete, tenta desqualificar a acusação de injúria racial, com o argumento de que o xingamento 'macaco' em campo de futebol não tem conotação racista e pra piorar compara com a mãe dos juízes, 'louvadas' a cada erro de arbitragem. É piada? É lógico que o xingamento racista foi no intuito de se desestabilizar o adversário. Mas péraê! Xingamento racista é crime! Temos leis nesse país. É vale tudo, é? Daqui a pouco com a desculpa de querer apenas desconcentrar o adversário vamos liberar os feixes de luz laser, rojões para jogar no gramado, cusparadas em quem for cobrar escanteios. O advogado dela deve conhecer os meandros da Lei 7.437, a Lei Caó, imagino eu.
O ar contrito de Patricinha sinceramente não me convenceu nem despertou comiserações. Soou mais como um gesto de desespero para ver se consegue se safar dessa sinuca-de-bico que entrou, inadvertidamente, por escolha própria. (Querer se eximir de um crime alegando ter 'se deixado levar' pelos demais que também cometiam o mesmo crime, é o mesmo que alguém flagrado depredando uma agência bancária ou saqueando uma loja alegar que não tem culpa, pois fora no embalo dos outros).
Seu choro sem lágrimas revelou mais a angústia de quem se vê exposta por toda essa situação, tendo a imagem correndo o mundo e ainda o peso do complexo de culpa de ver o seu amado e querido Grêmio excluído da competição no qual é o grande especialista, do que um choro oriundo de reflexões pelo seu ato impensado (ou não).
Quando se diz arrependida do que fez, ai, sim acredito. Arrependida por ter perdido o emprego no dia seguinte. Arrependida por ter sido expulsa dos quadros de sócios gremistas. Arrependida por saber que será sempre persona non grata nas dependências do Estádio Olímpico, Arrependida por ter sua vida pessoal e dos familiares revirada de um dia pro outro. Arrependida por ter que agora responder a um constrangedor processo por injúria racial, que para um brasileiro, tão acostumado com o chamado racismo à brasileira, o qual discrimina sutilmente e que quando, porventura, é desvelado, quem se descuidou e revelou seu verdadeiro rosto, é achincalhado nesse imenso Baile de Máscaras que é a sociedade brasileira.
É Patricinha. Infeliz momento aquele que o câmera-man resolveu te focar. Com seu rostinho de figurante da novela Malhação, rostinhos que as tevês adoram buscar durante as transmissões futebolísticas, te flagrou com a boca na botija, de modo que nem foi preciso os especialistas em leitura labial.
Dizer que aquele 'macaco' não foi racismo seu, que foi porque o Grêmio estava perdendo ( é perante revezes e frustrações que as 'máscaras sociais' caem e mostramos quem somos), dizer que foi no calor do jogo lembra as cenas recorrentes no trânsito de nossas cidades, quando um motorista racista leva uma 'fechada' e se certifica que o outro condutor é negro o ofende com xingamentos preconceituosos e depois tenta se justificar na frente das autoridades que foi só no calor da discussão de trânsito.
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
ARTE POÉTICA: Quando o peito deixa brecha
Coração carente deixa brecha
mas deixa brecha pequena
Adeus, Cupido, não cabe flecha
nem canção, cabe apenas
A luz de um olhar..
AUTORIA: Ricardo Bispo
mas deixa brecha pequena
Adeus, Cupido, não cabe flecha
nem canção, cabe apenas
A luz de um olhar..
AUTORIA: Ricardo Bispo
sábado, 16 de agosto de 2014
TABELINHA COM VITOR PESSOA
Muito bom o texto de apresentação de Vitor Pessoa do extinto Quinteto em Branco e Preto, para o CD do parceiro Emersoon Ursoo NA CADÊNCIA E NA ELEGÂNCIA. Juntando-se à crítica que fizemos e que postamos aqui, em nosso cafofo virtual.
Interessante a sintonia entre nós, pois convergirmos num mesmo delta traçando um paralelo da música de boa qualidade feita pelo Urso em detrimento a esses hits e pancadões que infestam os canais de difusão e circulação de obras musicais para o grande público.
Quem quiser dar uma conferida no texto do Vitinho acessem o site do Ursoo e logo na cara do gol verá o menu NEWS e o submenu APRESENTAÇÃO. No mesmo menu poderá dar uma relida em nossa crítica: http://www.emersonurso.com.br
Interessante a sintonia entre nós, pois convergirmos num mesmo delta traçando um paralelo da música de boa qualidade feita pelo Urso em detrimento a esses hits e pancadões que infestam os canais de difusão e circulação de obras musicais para o grande público.
Quem quiser dar uma conferida no texto do Vitinho acessem o site do Ursoo e logo na cara do gol verá o menu NEWS e o submenu APRESENTAÇÃO. No mesmo menu poderá dar uma relida em nossa crítica: http://www.emersonurso.com.br
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
MOLDURA DE AQUARELA
Na vidraça da janela embaçada
Umedecida pela fria madrugada
Ela escreveu que me ama
E que ainda sente arder a chama
No seu coração...
Tudo se fez canção.
Quando li aquela frase na janela
O meu olhar virou moldura de aquarela
Eu voltava da orgia
Sozinho na noite fria
Acordado sonhei que voava...
Nas asas do perdão...
A frágil flor da esperança...
Eu não regava em vão...
Mas o sonho converteu-se em pesadelo
Meu Deus me diz...
Quem vai ouvir o meu apelo...
Friamente ela se disse arrependida
Que escreveu, se declarou por recaída
A lua se foi e o astro rei desabrochou
O dia amanheceu o orvalho já secou
E aquela frase na janela... se apagou
AUTORIA: Ricardo Bispo e Emersson Ursoo
https://www.youtube.com/watch?v=wCOvxz1zlgs
'Peço licença aos que já se foram pra
dizer que também sou
um dos poetas do samba'
Wilson Moreira,
Mário Sérgio e Capri
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