Seja por DOM OU MAGIA/ a minha poesia é bem natural (Santaninha, Barbosinha, Rubens Gordinho e Clóvis)
sábado, 29 de novembro de 2014
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
Esse povo precisa ouvir Racionais
Tá na área o mais novo cd do grupo de rap paulistano Racionais MC’s –
Cores e Valores, o 8º da carreira. Gravado no Quad Recording Studios e mixado no Brevery Recordind Studio,
Nova Iorque (EUA) foi lançado após um intervalo de 14 anos. O anterior foi o
Nada como um dia após o outro (Coisa Nostra, 2002).
Do ponto de vista melódico e de arranjos sobressai a faixa
11, O Mau e o Bem (de Ice Blue e Don Pixote), a letra de Quanto vale o show?, faixa
13 (de Mano Brown), uma viagem pela década de 1980, remonta aos bons tempos de Racionais.
É de lamentar as faixas breves como se fossem vinhetas, por exemplo, as faixas 3 e 4 têm 37 e 24 segundos, respectivamente. Tanto tempo sem lançar um álbum - os primeiros trabalhos fonográficos do quarteto tinham poucas
músicas, porém mais extensas, ansiava-se por mais. A faixa mais longa é a já citada O Mau e o Bem com 4:59. O tempo de fruição do disco é tão rápido que você duvida já ter tocado as 15 faixas do cd.
Sobre o estilo dos Racionais, é isso mesmo, música engajada
com a denúncia social com o vocabulário da periferia. Porta-vozes dos oprimidos.
O tom de indignação na voz
dos intérpretes, vejo como mais um elemento identitário caracterizando o teor
reivindicatório/ denunciatório da proposta musical do grupo.
Pensando bem, num cenário que tende a se homogeneizar pela
égide da indústria cultural de massa que visa só o entretenimento, como é o
panorama musical brasileiro na atualidade, é salutar essa diversidade.
É bom termos Racionais.
Esse povo precisa ouvir Racionais!
No link do youtube confiram a faixa 11, o Mau e o Bem:
https://www.youtube.com/watch?v=1CoNBU8xvQU
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
DIREITOS IGUAIS! QUEREMOS O DIA DA CONSCIÊNCIA BRANCA
Chega a ser ridículo alguns questionamentos sobre o porque não se ter um Dia da Consciência Branca. Não há razões plausíveis para uma CONSCIENTIZAÇÃO branca. O mito das 3 Raças, onde brancos-índios-negros ergueram o país é mais uma falácia (dobradiças simbólicas para amortecer atritos sociais).
O tratamento desigual racial que privilegia o elemento europeizado, por ironia, se consolidou no mesmo documento que fundou o mito das 3 raças. O berço desse mito foi no Instituto Histórico-Geográfico do Brasil, fundado em 1838, sob a influência da escola historiográfica alemã, cujo um dos ícones é Friedrich Hegel (o mesmo que afirmou que a África não era interessante do ponto de vista histórico). O IHGB realizou um concurso sobre a tarefa do historiador que fosse redigir a história brasileira. O vencedor foi o alemão Von Martius, cuja monografia “Como se deve escrever a história do Brasil”, publicada em 1845, listava entre os itens que norteariam a confecção da história oficial do Brasil uma ênfase nas três raças, dando predominância ao português, aquele que imprimiu suas marcas de moralidade no país.
O tratamento desigual racial que privilegia o elemento europeizado, por ironia, se consolidou no mesmo documento que fundou o mito das 3 raças. O berço desse mito foi no Instituto Histórico-Geográfico do Brasil, fundado em 1838, sob a influência da escola historiográfica alemã, cujo um dos ícones é Friedrich Hegel (o mesmo que afirmou que a África não era interessante do ponto de vista histórico). O IHGB realizou um concurso sobre a tarefa do historiador que fosse redigir a história brasileira. O vencedor foi o alemão Von Martius, cuja monografia “Como se deve escrever a história do Brasil”, publicada em 1845, listava entre os itens que norteariam a confecção da história oficial do Brasil uma ênfase nas três raças, dando predominância ao português, aquele que imprimiu suas marcas de moralidade no país.
Coube a realização dessa história a Francisco Adolpho de Varnhagen, considerado então o fundador da historiografia nacional com a publicação de História Geral do Brasil entre 1854 e 1857 o que influenciaria os manuais escolares e livros didáticos, chegando até os dias atuais. Nos Livros de História, o índio aparece quando a Esquadra se Cabral atraca e depois some das páginas. Com negros o processo se repete, aparecem no período que trata da Escravidão, com aquelas ilustrações do Debret retratando-os em situações degradantes, tudo muito educativo para a construção da autoestima de alunos negros e alteridade dos alunos não-negros, e desaparecem da História.
Um dos principais romancistas da atualidade, Alberto Mussa aponta para um costume que naturaliza o elemento de aspecto fisionômico europeu num recurso chamado em Linguística, antigamente, de ‘elemento marcado’, aquilo que “tinha que ser dito”, caso contrário, julga-se outra coisa. A naturalização da branquitude induz, por exemplo, que todo personagem histórico é branco, quando surge um elemento negro, o que é uma excepcionalidade. ele dever ser marcado, tipificado, senão, se presumirá que se trata de um personagem histórico branco. O adjetivo ‘negro’ aparece quando se fala de Aleijadinho, José do Patrocínio e de João Cândido,mas o ‘branco’ é dispensável quando se fala de José Bonifácio, Castro Alves ou Carlos Chagas. Zumbi é apresentado como líder negro da Revolta de Palmares e Tiradentes apenas como o líder da Inconfidência Mineira. Sem se falar quando se nega a condição de negro a sujeitos históricos como o engenheiro André Rebouças, a compositora Chiquinha Gonzaga e o escritor Machado de Assis, apresentados com o termo difuso ‘mestiço’, como uma espécie de eufemismo. O termo ‘negro’ é discriminado (nas duas acepções) e passa a ser usado como um marca-texto.
Mussa ressalta que em nossa literatura também opera essa obrigatoriedade de se aludir à característica étnica quando o sujeito da narrativa é negro, efeitos da naturalização da branquitude na psique do brasileiro. Mussa cita: “pegue os grandes autores: José Lins do Rego, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa. Os melhores. Você vai ver neles esse procedimento. É o personagem Fulano, o Sicrano e, na hora que aparece o preto, é o “preto Alguém”. E dali a pouco, esquece-se o nome do personagem e ele passa a ser só o “o preto”, ou “o mulato”. Não é possível. A gente tem que encontrar outra forma de tratar disso”.
Reflexos da cultura hegemônica eurocêntrica.
O texto abaixo fechamos nossos apontamentos sobre o tema.
O texto abaixo fechamos nossos apontamentos sobre o tema.
MAS PRA QUÊ CONSCIÊNCIA NEGRA?
Imagine-se chegando de viagem numa grande
cidade a noite. Após deixar o avião, toma um táxi e ruma para um hotel. Um
luxuoso hotel. Chegando ao referido estabelecimento você fica sabendo que há
leitos disponíveis, porém não permitirão a sua entrada. Razão: a cor de sua pele.
Foi
o que ocorreu com duas mulheres negras em 1951, barradas numa noite fria de
junho por funcionários de um hotel paulistano. Só que a coisa fedeu, as vítimas
eram duas cidadãs estadunidenses:
a soprano Marian Anderson, famosa cantora e militante pelos direitos dos negros
nos Estados Unidos e a renomada bailarina, coreógrafa e etnógrafa Katherine Dunham, considerada a “mãe” da dança moderna,
mais tarde, mentora de Mercedes Batista, a pioneira da dança afro no Brasil.
Chamaram a autoridade policial. Nada se pôde fazer. Não havia lei que punisse
discriminação racial no país. Why? Como assim? Oh my God! O país com maior população negra fora da África não tinha
uma legislação sobre agressões raciais?
E o assunto deu pano pra manga. O estardalhaço das artistas afro-americanas, repercutiu
lá fora, causou um mal estar
diplomático e no mês seguinte, a toque de caixa o deputado mineiro Afonso
Arinos, da UDN (União Democrática Nacional), apresentou, mais por motivações
políticas do que questões humanitárias, um
projeto de lei que incluía ofensas de ordem racial entre as contravenções
penais sendo promulgada
em 03 de julho de 1951 por Getúlio Vargas (o mesmo a quem Arinos pediria a renúncia
num duro pronunciamento, duas semanas antes do fatídico suicídio no Catete).
A primeira lei de combate ao
racismo no Brasil – aprovada mais de meio século após a abolição, acabou
levando o nome de um político conservador, pouco alinhado com o clamor dos
movimentos sociais. Embora já imortalizado por causa da tal lei, o também
escritor Afonso Arinos, sete anos depois, em 1958, vestiria a farda de imortal da ABL.
Porque nada
foi feito antes sobre a questão do racismo recorrente no país. Por que foi
preciso que negros norte-americanos, já calejados com essas situações segregativas
e excludentes, sofressem numa noite, o que brasileiros sofriam no dia-a-dia por
séculos.
A resposta a essas perguntas é a mesma. Faltava ao negro brasileiro um ingrediente: CONSCIENTIZAÇÃO.
É
claro que muitos negros bradavam contra opressão racial cotidiana no Brasil. E
isso, bem antes da Lei Áurea. As autoridades tratavam com mais discriminação
quem as procurasse. A mídia não dava voz a essa camada da população e o discurso
espúrio de ‘é apenas impressão de sua parte, no Brasil não há racismo’ era a
amordaça oferecida. A Lei Afonso Arinos só foi sancionada por causa da
visibilidade internacional do ocorrido, mais como um amparo legal contra os ‘esporádicos’
casos de agressão racial, tratados sempre como casos isolados.
Chamamos a atenção para a postura de Duhan e Anderson, encarando como inadmissível aquela
ocorrência. Pelo fato de não lerem em português, acaso o táxi passasse pelas
ruas do Bixiga, região central de São Paulo, não perceberiam os cartazes em
muito sobrados com dizeres: ALUGA-SE QUARTOS, MENOS PARA PRETOS, ou VAGAS PARA
EMPREGO – PESSOAS BEM AFEIÇOADAS, (sabemos do teor racista dos critérios dessa boa feição) placas dessa natureza podiam ser vistas até o
início dos anos de 1980.
Foi
erguida toda uma estrutura para que o negro não tivesse CONSCIÊNCIA de sua
condição adversa. E de seu valor, de seu poder, daí as campanhas contínuas com
respaldo do Governo de depreciação de tudo aquilo que caracterize o negro e
suas origens, demonizando e inferiorizando todos os aspectos culturais
identitários, desde os Códigos de Conduta do Brasil Império, até os meados do
século XX. Sim, existe a pertinência de se ter uma data para celebrar a CONSCIÊNCIA
negra no Brasil.
Nessa
semana, como em anos anteriores, espocaram via internet nas redes antissociais,
os mesmos comentários questionando do porquê de haver dia e a Semana e o Mês da
CONSCIÊNCIA negra.
‘Ah,
seria melhor Dia da Consciência Humana’
‘Se
fosse Dia da Consciência Branca seria racismo’
‘Consciência
Negra é todos os dias’
Essa
última repetida por alguns setores do Movimento Negro (muitos ainda se enganam
e encaram as movimentações coletivas como grupos homogêneos). Nessas frases
acima se verifica o temor de uma segregação (o mesmo temor dos anti-cotistas e
de setores conservadores da sociedade, nos idos de 1950, se rebelando contra a
Lei Afonso Arinos e seus desdobramentos).
Nos dias correntes há uma ala
conservadora que levanta o mesmo argumento a cerca da Lei que instituiu a
obrigatoriedade do ensino da História e da Cultura da África e afro-brasileira
em todas escolas, como a reivindicação estapafúrdia de se querer o ensino da
História da Itália, da Alemanha, do Líbano e do Japão, pois imigrantes desses
países deram seu contributo no mosaico cultural brasileiro. Reações contrárias
em jornais influentes e em pronunciamentos no Congresso acompanham toda e
qualquer, e mínima conquista da população negra. Desde a Lei do Ventre Livre
até os recentes Editais para Produção Cultural do Ministério da Cultura,
passando por leis como a descriminalização do candomblé, de autoria do deputado
Jorge Amado, pelo Partido Comunista ou a Lei Caó, que retirava a injúria racial
do patamar de simples contravenção e a elevava a crime inafiançável e
imprescritível e as Políticas de Ações Afirmativas.
O que mais impressiona é a permanência do discurso que se
repete ‘os negros querem regalias’, ‘há assuntos mais sérios para debater’, ‘os
negros adoram o papel de vítimas’, ‘isso irá dividir o país’, e a melhor: ‘mas,
isso fere a Constituição’, que pregava que todos os brasileiros eram iguais,
argumento esquecido quando se legislava para restringir os direitos dos mesmos
negros.
Esses
comentários engraçadinhos sobre o feriado da Consciência Negra (brasileiro é o povo que mais
adora feriado, e se puder enforcar um dia a mais, prolongando o fim de
semana, melhor ainda, curiosamente, reclama por mais um feriado - o único que gera reclamação) revelam um
desconhecimento das razões de se arrogar no Brasil uma CONSCIENTIZAÇÃO dos
negros, induzidos por muito tempo a alienação e negação, muitas vezes em níveis
inconscientes e subliminares, dos elementos de sua identidade.
Ignoram também
que num país multicultural, formado por diferentes grupos étnicos, cada qual
tem suas especificidades, cada qual tem a sua demanda e cada qual tem o seu
percurso. E é conhecendo o percurso histórico da condição do negro e
descendente no tecido social brasileira é que se poderá se expressar com razoabilidade,
fugindo das escaramuças do senso comum que reproduz teoremas dos achólogos de
cátedra.
Muitos
os fazem sem maldade, vejo pessoas de bem e instruídas, mães e pais de família
que sem perceber estão introjetando aos jovens filhos, que a tudo, acompanham,
valores deturpados, fomentadores de intolerância. Muitos desses bons cidadãos (se expressar é um ato de cidadania) não tiveram a chance de estudar a
História e a Cultura afro-brasileira e desconhecem os mecanismos adotados pela
nossa sociedade para ‘embraquecer’ a face negra do Brasil, embalada pelo mito
da harmonia racial, enaltecendo a mistura de raças e policromia do povo
brasileiro (mistura que não se dava e nunca se deu nos altos escalões do poder,
não interditados aos com feições caucasianas).
Talvez por viverem num país onde a tensão racial é
explícita, Marian Anderson e Katherine Dunham estavam conscientes
dos mecanismos acionados pela exclusão racial. Talvez por isso tenha causado estranheza
ao ator Morgan Freeman (justo ele que tem como nome o epíteto Freeman/ homem livre, dado nos Estados
Unidos a escravos libertos, o correspondente ao nosso preto forro) a pergunta sobre o Mês da CONSCIÊNCIA Negra. Para um negro americano isso não
tem cabimento. Pra quê celebrar, pra quê datar algo que já está arraigado
organicamente no interior de cada negro. Eles vivem dia a dia, desde o berço, a
CONSCIÊNCIA negra.
Sim, o Dia da CONSCIÊNCIA NEGRA é uma conquista.
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
O cineasta Shelton Jackson, mais conhecido como Spike Lee e os Racionais MC's
sábado, 8 de novembro de 2014
Essa tese dá samba. VOTEM
A tese de doutorado de Juliana Barbosa (Nelson Sargento e a cultura do samba: aspectos da criação artística) é finalista no Prêmio Edison Carneiro, na categoria Melhor Tese de Samba e Carnaval. Agora é a fase de recomendação popular.
Para dar o seu voto, acesse o link abaixo, clique em "Gosto" e depois em "Partilhar".
Seu comentário também é bem-vindo!
http://
terça-feira, 4 de novembro de 2014
SUJOS CORAÇÕES
Ainda meditando sobre a deplorável reação de alguns setores de nossa sociedade após o segundo turno das eleições presidenciais colocando o povo do Nordeste como a caixa de pandora social do Brasil.
Em época de insatisfação coletiva, a História nos diz, mormente, núcleos reacionários elegem grupos para responsabilizar pelas mazelas sociais num processo de percepção seletiva, coletiva, de auto-absolvição, modus operandis caro as setores da ultra-direita, como recente onda xenófoba na França mirando árabes e africanos, nos Estados Unidos, contra árabes e latinos e o exemplo mais singular e lamentável, dos nazistas e os judeus.
Falando em nazismo, lembramos da 2ª Grande Guerra e do livro-reportagem de Fernando Morais (Corações Sujos) que por coincidência passará agora, às 22H no Canal Brasil a adaptação cinematográfica do livro, segue um trecho da página 54:
"(...) Por razões que os imigrantes japoneses não conseguiam entender, tinha virado mania em São Paulo atribuir a eles a culpa por todas as privações que a guerra estava impondo aos brasileiros. Quando começou o racionamento de alimentos, por exemplo, os jornais jogaram a culpa nos japoneses (...) Só faltava eles serem responsabilizados pelo torpedeamento dos navios brasileiros feito por submarinos alemães. Mas nem isso tardaria a acontecer"
Como diria Guimarães Rosa em 'Sagarana': os tempos se seguem e parafraseiam-se.
Em época de insatisfação coletiva, a História nos diz, mormente, núcleos reacionários elegem grupos para responsabilizar pelas mazelas sociais num processo de percepção seletiva, coletiva, de auto-absolvição, modus operandis caro as setores da ultra-direita, como recente onda xenófoba na França mirando árabes e africanos, nos Estados Unidos, contra árabes e latinos e o exemplo mais singular e lamentável, dos nazistas e os judeus.
Falando em nazismo, lembramos da 2ª Grande Guerra e do livro-reportagem de Fernando Morais (Corações Sujos) que por coincidência passará agora, às 22H no Canal Brasil a adaptação cinematográfica do livro, segue um trecho da página 54:
"(...) Por razões que os imigrantes japoneses não conseguiam entender, tinha virado mania em São Paulo atribuir a eles a culpa por todas as privações que a guerra estava impondo aos brasileiros. Quando começou o racionamento de alimentos, por exemplo, os jornais jogaram a culpa nos japoneses (...) Só faltava eles serem responsabilizados pelo torpedeamento dos navios brasileiros feito por submarinos alemães. Mas nem isso tardaria a acontecer"
Como diria Guimarães Rosa em 'Sagarana': os tempos se seguem e parafraseiam-se.
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
O XEQUE-MATE EM AÉCIO NEVES
Não foram os nordestinos!
Foi a inabilidade de Aécio em fazer migrar pra si os eleitores de Marina Silva, somados ao desempenho pífio no estado do Rio de Janeiro (onde morou) , igualmente em sua terra natal (onde governou por duas vezes, foi senador, fez do desconhecido Antonio Anastasia governador e agora, esse ano, senador), além de erros estratégicos pontuais durante a campanha, como por exemplo, o anúncio prévio de Armínio Fraga como futuro ministro (tiro de escopeta que saiu pela culatra), e outras apostas equivocadas que fizeram Aécio Neves perder a eleição. Não os eleitores dos estados nordestinos.
Se a diferença entre Dilma e Aécio foi de 3,4 milhões e o total de abstenções, votos nulos e brancos somaram os expressivos 30 milhões (equivalente a dez vezes mais a quantidade de votos que o separou de Dilma), fica evidente que faltou ao candidato tucano argumentos convincentes para que esse montante de eleitores que não votaram nem nele e nem em Dilma, acreditassem em seu projeto de mudança e melhoria no cenário social brasileiro.
Culpar eleitores do Nordeste do país é atitude simplista (alem de preconceituosa) e ignora-se que a derrota de Aécio responde a muitos fatores. O resultado das urnas causa, aos perdedores, inevitável sensação de frustração, isso é comum e natural, mas, como demonstrou Sigmund Freud, um dos mecanismos do ego para lidar com a frustração é a agressividade.
Parafraseando o filósofo Epicuro: ' quer conhecer Fitocles? Deixe que ele experimente o amargo fruto da contrariedade'
Em tempo, o programa de transferência de renda condicionada que parece motivar a onda de intolerância aqui no Tucanistão, deveria ser motivo para uma votação mais irrisória do candidato psdbista, por coerência, oras, Aécio Neves anunciou por mais de uma vez nesse segundo turno que não só manteria o Bolsa Família, como ampliaria, além de, em meios a elogios, arrogar a paternidade do Programa ao seu partido.
Nem todo nordestino recebe Bolsa Família, nem todo nordestino votou na Dilma, tem paulista, gaúcho, carioca, mineiro, catarinense, goiano que recebe.
Enfim, Aécio foi ineficaz em tirar proveito dos 38% de reprovação do Governo Dilma, registrado há quatro meses, em junho (o maior índice de seu mandato), e nem do desejo de mudança de 70% de brasileiros, cravejado no fim do ano passado.
Não foram os nordestinos, Aécio.
Foi a inabilidade de Aécio em fazer migrar pra si os eleitores de Marina Silva, somados ao desempenho pífio no estado do Rio de Janeiro (onde morou) , igualmente em sua terra natal (onde governou por duas vezes, foi senador, fez do desconhecido Antonio Anastasia governador e agora, esse ano, senador), além de erros estratégicos pontuais durante a campanha, como por exemplo, o anúncio prévio de Armínio Fraga como futuro ministro (tiro de escopeta que saiu pela culatra), e outras apostas equivocadas que fizeram Aécio Neves perder a eleição. Não os eleitores dos estados nordestinos.
Se a diferença entre Dilma e Aécio foi de 3,4 milhões e o total de abstenções, votos nulos e brancos somaram os expressivos 30 milhões (equivalente a dez vezes mais a quantidade de votos que o separou de Dilma), fica evidente que faltou ao candidato tucano argumentos convincentes para que esse montante de eleitores que não votaram nem nele e nem em Dilma, acreditassem em seu projeto de mudança e melhoria no cenário social brasileiro.
Culpar eleitores do Nordeste do país é atitude simplista (alem de preconceituosa) e ignora-se que a derrota de Aécio responde a muitos fatores. O resultado das urnas causa, aos perdedores, inevitável sensação de frustração, isso é comum e natural, mas, como demonstrou Sigmund Freud, um dos mecanismos do ego para lidar com a frustração é a agressividade.
Parafraseando o filósofo Epicuro: ' quer conhecer Fitocles? Deixe que ele experimente o amargo fruto da contrariedade'
Em tempo, o programa de transferência de renda condicionada que parece motivar a onda de intolerância aqui no Tucanistão, deveria ser motivo para uma votação mais irrisória do candidato psdbista, por coerência, oras, Aécio Neves anunciou por mais de uma vez nesse segundo turno que não só manteria o Bolsa Família, como ampliaria, além de, em meios a elogios, arrogar a paternidade do Programa ao seu partido.
Nem todo nordestino recebe Bolsa Família, nem todo nordestino votou na Dilma, tem paulista, gaúcho, carioca, mineiro, catarinense, goiano que recebe.
Enfim, Aécio foi ineficaz em tirar proveito dos 38% de reprovação do Governo Dilma, registrado há quatro meses, em junho (o maior índice de seu mandato), e nem do desejo de mudança de 70% de brasileiros, cravejado no fim do ano passado.
Não foram os nordestinos, Aécio.
domingo, 19 de outubro de 2014
TANCREDO ACABOU COM UMA DITADURA? Os papéis dos Neves durante o Regime repressivo e o de Dilma Rousseff
Sugestiva
e apeladora (e apelativa) a montagem que corre redes sociais afora, com a
emblemática frase de efeito : ‘Tancredo acabou com uma Ditadura, Aécio acabará com outra’, mas cabe uma reflexão sobre os papéis sociais exercidos por
Tancredo Neves, o seu neto, Aécio Neves (atual candidato à presidência) e Dilma
Roussef (adversária de Aécio no atual pleito) durante a vigência da Ditadura
civil-militar no Brasil.
Por
ter sido o primeiro presidente civil após a abertura política dos anos 1980,
eleito por voto indireto (e pela aura que recaiu sobre seu nome dada a
circunstância de sua morte e a comoção nacional por ela suscitada) a imagem de
Tancredo Neves é associada, no imaginário popular, pelo combate a Ditadura
Militar.
De
fato, Tancredo integrou o MDB (partido oposicionista ao partido da situação, o
ARENA) mas daí elevá-lo ao patamar de herói libertário é incongruente para alguém
que jamais denunciou as atrocidades e arbitrariedades encetadas pelos
militares, ocupando, durante o Regime, o que era chamada de ala moderada do
MDB, os que na oposição evitavam atritos mais acirrados com os governistas.
Talvez
essa proximidade com os militares explique a aceitação de seu nome a candidato
a presidência em 1985 pelo Colégio Eleitoral, ou alguém teria a ingenuidade de
acreditar que os militares permitiriam a indicação de algum ferrenho opositor
do antigo Regime? Tudo que eles não queriam era a abertura dos chamados Documentos
Secretos (o que ocorreu nos últimos doze anos, quando a elite deixou o Governo).
É
emblemática a posição reticente de José Sarney (vice- presidente de Tancredo em
1985) relacionada a abertura dos arquivos secretos, declarando, recentemente,
que era melhor deixar esses registros na condição de sigilo eterno: 'Não podemos fazer o WikiLeaks da história do Brasil', afirmou, o ex-presidente da República.
Com
a instituição do bipartidarismo, em 1966, Tancredo Neves foi convidado a se
filiar ao ARENA, convite recusado pelo fato de seu arquirrival Magalhães Pinto integrar
as fileiras do tal partido (e não porque
a ARENA representava o Regime opressivo). No MDB (que daria lugar ao PMDB, com
a abertura democrática), Tancredo Neves foi polido e amistoso com os
generais-presidentes. Talvez essa relação amigável explique o fato de Tancredo
ter sido um dos poucos aliados de João Gourlat a não ter os direitos políticos cassados
pelos militares em 1964. Cabe lembrar que Tancredo fora nada mais, nada menos,
que primeiro-ministro do governo Jango.
Tancredo
Neves nunca entrou na clandestinidade, jamais integrou a luta armada, jamais
sentiu na pele os torturantes choques de alta voltagem da opressão e da
repressão. Dilma Roussef sim. Enquanto a atual Presidente da República estava
na trincheira urbana lutando em prol da democracia e pelo fim da Ditadura. Onde
estava Tancredo? Transitando confortavelmente pelos corredores palacianos
naquele jogo de faz-de-conta que era a oposição oficial ao Regime Militar. E o
neto dele? Onde estava?
terça-feira, 30 de setembro de 2014
A Bíblia, Questão de Gênero e a Intolerância
Penso que usar a Bíblia (e toda a sua ambiguidade) para negar direitos civis a casais homoafetivos reproduz a mesma postura dogmática medieval que interditava às mulheres de partilharem dos mesmos direitos usufruidos pelos homens, amparando o discurso excludente em premissas bíblicas, indo da narrativa mítica do Jardim do Éden, no Velho Testamento à passagem da Mulher Adúltera do Novo Testamento.
sábado, 27 de setembro de 2014
VOTE CONSCIENTE: Comunidade Carente, Zeca Pagodinho
Eu moro numa comunidade carente
Lá ninguém liga pra gente
Nós vivemos muito mal
Mas esse ano nós estamos reunidos
Se algum candidato atrevido
For fazer promessa vai levar um pau
Vai levar um pau
Pra deixar de caô e ser mais solidário
Nós somos carentes, não somos otários
Pra ouvir blablablá em cada eleição
Nós já preparamos vara de marmelo e arame farpado
Cipó-camarão para dar no safado
Que for pedir voto na jurisdição
É que a galera já não tem mais saco
Pra aturar pilantra
Estamos com eles até a garganta
Aguarde pra ver a nossa reação
AUTORIA: Marquinho Diniz, Luiz Grande e Barbeirinho do Jacarezinho
https://www.youtube.com/watch?v=aD2nxYJilsg
Salve Cosme e Damião
'Vinte e sete de setembro
Eu sempre me lembro
Não esqueço de dar
Cocada, paçoca, suspiro, pipoca,
Bolo, bala, bola, cuscuz e manjar'
FALANGE DO ERÊ
(Aluisio Machado, Jorge Carioca e Arlindo Cruz)
https://www.youtube.com/watch?v=T2KGiLc0ETY
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
PÁGINAS DO BRASIL: O Pagador de Promessas
"Devem ser, aproximadamente, quatro e meia da manhã. Tanto a igreja como a vendola estão com as suas portas cerradas. Vem de longe o som dos atabaques dum candomblé distante, no toque de Iansã. Decorrem alguns segundos até que Zé-do-Burro surja, pela rua da direita, carregando nas costas uma enorme e pesada cruz de madeira. A passos lentos, cansados, entra na praça, seguido de Rosa, sua mulher (...) Zé-do-Burro vai até o centro da praça e aí pousa a sua cruz, equilibrando-a na base e num dos braços, como um cavalete. Está exausto. Enxuga o suor da testa".
O PAGADOR DE PROMESSAS - Dias Gomes
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