sábado, 5 de setembro de 2015

MEU SAMBA É ASSIM: por Coletivo Arnesto





Nome: Ricardo Bispo dos Santos
Nome artístico: Ricardo Bispo
Data de nascimento: 28/10/1976
Natural da cidade de São Paulo – SP
Reside em Praia Grande – SP
Referências: (por ordem de influência) Nei Lopes, Paulo Cesar Pinheiro, Luis Carlos da Vila, Eduardo Gudim, Roque Ferreira, Santaninha, Delcio Carvalho, Geraldo Filme, Mestre Darci do Jongo e Barbeirinho do Jacarezinho.
Principais parceiros: (por ordem alfabética) Alabá, Alex Cardoso, Aluízio Neguinho, André Moraes, Charlie Dief, Emersson Urso, Juninho Mancuso, Marquinho Quebra-Corda, Nonô NG e William Fialho.
- Amor Nagô; Sincopando o Sincopado; Gurufim de Bamba; Cântico das Ninfas e Se bola de cristal tivesse zoom.

sábado, 25 de julho de 2015

ÀS MARGENS DO GUAPORÉ


Às margens do Guaporé
Vi Teresa de Benguela
Com seu colar de urucum
Das rainhas, a mais bela

Às margens do Guaporé
Vi Teresa de Benguela
Colhia o que arou pra si
Batata doce e brinjela

Às margens do Guaporé
Vi Teresa de Benguela
Repartia o que colhia
Não plantava só pra ela

Às margens do Guaporé
Vi Teresa de Benguela
Disfarçada de nenúfar
Flor de haste amarela

Às margens do Guaporé
Vi Teresa de Benguela
Orando para Angana-Zambi
Por seus filhos na favela

Às margens do Guaporé
Vi Teresa de Benguela
Com a fibra do guelengue
Da impala e da gazela

Às margens do Guaporé
Vi Teresa de Benguela
Com seu riso buliçoso
Feito um samba da Portela

Às margens do Guaporé
Vi Teresa de Benguela
Fui às terras angolanas
No versar de Pepetela

Às margens do Guaporé
Vi Teresa de Benguela
Entoando uma cantiga
Em quicongo e ganguela

Às margens do Guaporé
Vi Teresa de Benguela
Ganhando muito pataco
No jogo da bacatela

Às margens do Guaporé
Vi Teresa de Benguela
Com vigor que emprestaria
A Luther King e Mandela


Do livro Espelho opaco de Narciso, 2014, Ricardo Bispo, Editora Clube de Autores












Em homenagem ao Dia Nacional de Tereza de Benguela e que desde 1992 , em iniciativa da ONU, comemora-se o Dia da Mulher Negra da América Latina e do Caribe.





No carnaval de 1994 a Unidos do Viradouro trouxe o enredo "Tereza de Benguela, uma rainha negra no Pantanal".

quinta-feira, 28 de maio de 2015

QUEM NÃO SABE REZAR...

A Bahia fervia em sagrados louvores no Pelourinho.

Junho chuvoso.

Era a trezena de Santo Antônio (na verdade era o tríduo, pois eram três dias e não treze, porém, sabemos que baiano é um povo assuntado).

Antes da procissão sair, na hora da ladainha em honra à Santa Maria, as santas beatas já estavam mais aporrinhadas que xerelete no anzol.

A pendenga era o povaréu, mais acostumado com atabaques do Opofonjá do que os castos sacramentos da Madre Igreja.

Eram mais chegados a uma mumunha pra Ossãe do que uma ladainha pra São Lázaro.

Mais ligados na fila festiva para os comes-e-bebes do olubajé com os quitutes servidos na folha da mamoneira (e tudo pra ser comido com a mão) do que a fila circunspecta e contrita da eucaristia, com a sua hóstia e um tiquinho de vinho. Uma merreca. Monsenhor Alípio, sovinas, colocava sangria pros fiéis bebericarem, ao passo, que ele sorvia um tinto do Porto, direto da Vila Nova Gaia, às margens do Douro.

E o povão, sincreticamente, fervia. Bolinho de acará mergulhado no dendê borbulhante já virando acarajé.

E pra indignação das velhas beatas, a massa estava mais pro bom iorubá do que pro lírico latim, e foi nessa que a turba repetindo, o Frei Cosmo, pároco, representante da Diocese de Salvador, na ladainha em honra à Virgem Maria:

 "Regina Coeli, Aleluia, Regina profetarum

  ( e em vez de profetarum, fizeram ecoar um: bofetarum)".

Era só o prenúncio do furacão. Procissão iniciada. Louvores a Santo Antônio, o Santo Casamenteiro.

Teve beata que quase infartou quando chegaram no trecho da ladainha que diz assim:

"Agnus Dei qui tollis peccata mundi".

Do povão se fez ouvir, em uníssono:

"Agnus dê clitóris peccata mundi".

E Monsenhor Alípio, lívido e estarrecido, virou-se e bradou taxativo uma frase lapidar.

- QUEM NÃO SABE REZAR, XINGA A DEUS!!! (E assim nascia a expressão popular)


Ricardo Bispo

terça-feira, 12 de maio de 2015

Salve o 13 de Maio

'Vou pra Valença, pra Fazenda São José
Vou pra Valença, pra Fazenda São José
Vou pedir a bença, véio cumba tem axé
Vou pedir a bença, véio cumba tem axé'

MACHADO!

- Jongo de Valença (Ricardo Bispo)





Salve o 13 de Maio.

Salve Jongueiro!






sábado, 2 de maio de 2015

LÚCIO SANFILIPPO E LUIZ ANTÔNIO SIMAS - Eu já colaborei e você


O Projeto será realizado no ano de 2015, no Rio de Janeiro, viabilizando a finalização do Dvd comemorando 21 anos de uma carreira de valorização da identidade cultural brasileira e a gravação de 2 Cds inéditos.
     
O Dvd é composto de show ao vivo gravado no Sesc Nova Iguaçu em agosto de 2013, com participação da Companhia de Aruanda, além de documentário sobre a carreira e a ligação do artista com as culturas populares. Ainda conta com extras de artistas parceiros como Ana Costa, Moyseis Marques, Razões Africanas e Marina Iris;
      
Um Cd com músicas inéditas compostas pelo próprio Lucio Sanfilippo;
  
Um Cd com músicas inéditas compostas pelo escritor, historiador e Babalaô Luiz Antônio Simas.
 


O trabalho do artista está ligado diretamente ao Samba, Jongo, Maxixe, Maracatu, Ciranda, Coco, bem como ritmos de origem iorubana ( Ijexás, Aguerés e Alujás), trazendo para o público um pouco da produção popular do universo Afro Brasileiro.

20.000,00 (vinte mil reais) - Com este valor pagamos a finalização do Dvd - Cordel, Flor e Canção. Mixagem, Masterização, Prensagem, Design gráfico, Direitos autorais, Produção Executiva...Parte do custo do Projeto.
 
35.000,00 (trinta e cinco mil reais) - Com este valor pagamos a finalização do Dvd - Cordel, Flor e Canção e gravamos o Cd inédito  Lucio Sanfilippo canta canções de Luiz Antônio Simas. Gravação, Mixagem, Masterização,  Design gráfico e Produção Executiva. 
 
50.000 (cinquenta mil reais) - Com este valor pagamos a finalização do Dvd - Cordel, Flor e Canção + Cd inédito  Lucio Sanfilippo canta canções de Luiz Antônio Simas + Cd autoral de Lucio Sanfilippo. Gravação, Mixagem, Masterização,  Design gráfico e Produção Executiva.
Copie e link abaixe, cole em seu navegador, tire suas dúvidas no site da Benfeitoria e contribua pelo bem da cultura brasileira.
http://benfeitoria.com/luciosanfilippokit21_


segunda-feira, 27 de abril de 2015

A barca de Omulu



Autoria: Janaina de Souza e Ricardo Bispo
  
Quando eu me transformar
No sopro da brisa da manhã
E meu corpo alquebrado, cansado
Prostrado nos braços de Nanã
Deitado no leito da terra
Tornando-se parte da terra
E nos portais do Orum
Ogum, que é o dono da guerra
Me abençoar por tantas batalhas vencidas, perdidas
Jamais desertadas

Vem do infinito vazio
No rio da eternidade azul
O leme trançado com palha da costa              REFRÃO
Ás águas da vida, na proa que encosta.
A barca de Omulu
A barca de Omulu
  
Quando eu me transformar
No sopro da brisa da manhã
E os medos e sonhos se decomporem
E as imagens no brilho dos olhos se forem
Nos brandos ventos de Iansã
Há finitude no pranto
Na brevidade do encanto
E nos portais do Orum
Oxum com delicado manto
Vier me abraçar
Nos mares de Odoyá
Há a paz de Oxalá

Vem do infinito vazio
No rio da eternidade azul
O leme trançado com palha da costa              REFRÃO
Ás águas da vida, na proa que encosta.
A barca de Omulu
A barca de Omulu

quinta-feira, 23 de abril de 2015

PIZINDIM

"Pizindin Pizindin
Eu nunca vi garoto tão esperto assim
Trocou o carrinho pelo cavaquinho
Rodou pião tocando um bom flautim
Tirou o couro da bola e pôs no tamborim
O seu pique-esconde foi com um bandolim..."

Pixinguinha completaria hoje 118 anos
Ricardo Bispo

terça-feira, 21 de abril de 2015

O SHOW CONTINUOU



O show continuou
Mesmo com a ribalta apagada
A Vila cantarolou
O samba que teceu a madrugada
Emudeceu...O lararaiá
Do poeta imortalizado
Pelo sorriso que vai raiar
Do seu canto encantado
O jequitibá agradeceu
A última flor do Lácio também
Candeia se enobreceu
E os anjos disseram amém!

Quem fez do Parnaso, seu quilombo
E fez do poema a sua lei
Fez da tamarineira, imponente baobá
No seu cantar vi que eu também sou rei
Se o céu fosse poeta
A singeleza de todo universo
Seria a rima rica de seus versos
Se um jardim em flor fosse compositor
Rosas e camélias seriam canções de amor

Mas Deus quem quis assim
Escolheu você, Luiz
Pra expressar a pureza da vida
Num samba para o meu povo cantar
Teu sonhar me fez notar
Que o desamor vagou ao esmo
O poeta é um médium
Que recebe a si mesmo

AUTORES: Emersson Ursoo / Ricardo Bispo/Charlie Dief


Assista o vídeo com o áudio em voz e violão (copie o link e cole no seu navegador) : https://www.youtube.com/watch?v=Lvc8rZTBEw0 

quinta-feira, 16 de abril de 2015

QUE HONRA

Parceiro e irmão Willian Fialho recitando versos do nosso O ESPELHO OPACO DE NARCISO, ontem, no Sarau Samba Original, em Embu das Artes.


Valeu, Fialho

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

MÍDIA E CARNAVAL

A influência da mídia televisiva na conjuntura do carnaval das escolas de samba revela uma relação de atrito onde, como regra, a corda arrebenta pro lado mais fraco: o das agremiações carnavalescas, reduto artístico-cultural das classes populares, majoritariamente, negras.

Um dos efeitos mais perniciosos dessa relação foi a consequente eliminação da síncope na estrutura musical do samba de enredo, que foi acelerado para que as escolas pudessem se apresentar dentro do intervalo de tempo cronometrado imposto ao regulamento pela tevê por causa de seus interesses comerciais. A síncope é a característica do samba que o faz malemolente, com a sua subtração gradativa, a música recebeu um andamento mais acelerado, o gingado dos passistas e os desenhos rítmicos da bateria foram prejudicados.


Há tempos que o desfile das escolas abandonou o patamar de bem cultural e migrou para o status de atração turística. Mudanças dessa ordem invertem conceitos fundamentais e o que era essencial passa a ser encarado como acessório e vice-versa.

Com o monopólio da transmissão nas mãos de uma única emissora, as escolas tem se tornado cada vez mais reféns de seu bel-prazer. A detentora dos direitos televisivos transmite o desfile, em tempo real, para mais de cem países e o disponibiliza, por meio de seu portal na internet, on line, para praticamente o mundo inteiro, reforçando cada vez mais o caráter turístico e a espetacularização do desfile como algo irreversível.

 Cooptadas pela Indústria do Entretenimento, muitas escolas, para atender às demandas apresentadas por essa nova ordem, o da atração turística, tem firmado parcerias com governos, entidades e empresas, buscando recursos financeiros para um espetáculo onde a estética visual é determinante, gerando os malfadados enredos patrocinados, transformando os sambas pro desfile em uma espécie de jingle de longa duração, com a asfixiante obrigatoriedade dos compositores incluírem na letra do samba jargões e expressões. Não são poucos os sambas oriundos de enredos patrocinados que são verdadeiros frankensteinzinhos musicais.

Situadas no meio desses dois campos de forças, ás vezes, antagônicas (Redes de TV e Empresas), as escolas de samba acabam enfrentando conflitos de interesses, como o caso da paulistana Rosas de Ouro, que no Carnaval de 2010 alterou a primeira linha do refrão, segundo fontes oficiosas, por pressão do canal de tevê que transmitiria o desfile, o que foi negado pela assessoria de imprensa da escola, porém, com o desfile bancado pela marca de chocolate Cacau Show , o refrão que começava com os versos ‘tá na boca do povo: o cacau é show!’, houve a alteração para ‘tá na boca do povo: o cacau chegou!’

Essa pressão de fora pra dentro, que chega a pretensão arrogante de interferir no samba escolhido pela escola, algo sagrado dentro da agremiação, não ocorre só pela rede de tevê que tem o contrato de exclusividade do carnaval e não só por interesses financeiros, mas por questões ideológicas também. Nesse ano houve o pedido para que a Estação Primeira de Mangueira alterasse uma palavra do bis do meio. Ao se apresentar numa rede de tevê, propriedade de um líder religioso da vertente neopentecostal que adota um discurso combativo e intolerante com diferentes credos, em especial, os de cunho afro-brasileiros, implicaram com a palavra ‘orixá’, no samba mangueirense. Um absurdo.

O avanço tecnológico também traz alguns problemas. 

Antes, com as câmeras estáticas, quem acompanhava os desfiles pela TV tinha uma percepção melhor do trabalho da escola. Hoje com as várias câmeras, gruas e etecéteras, com os recortes de ângulos, tomadas de início do desfile, e cortes repentinos para a concentração, e de repente, o foco na bateria, e volta pra comissão de frente, passando uma imagem fragmentada do desfile, esse jogo de câmeras dá a desagradável impressão de se estar assistindo a um ‘compacto ao vivo’, pois o desfile de escolas de sambas é uma apresentação procissional, em cortejo numa sequência ordenada.

E pra encerrar o desfile com o carro alegórico do inadmissível, é de lamentar o fato do desfile das escolas Unidos de Viradouro e São Clemente não serem transmitidos ao vivo. Condenável a posição condescendente da LIESA e a omissão das escolas coirmãs. A Rede Lobo não abriria mão de exibir o Big Brother, há milhões de reais envolvidos e o desfile dos interesses próprios é o mais importante.

E isso vem de outros carnavais.


E Euclides da Cunha será autor da marchinha dos Unidos do Sofá


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

PARABÉNS ZECA PAGODINHO

Como cantaria o inimitável Efson:

'Hoje é dia de festa em todos terreiros, ouviu, Mariá'


sábado, 27 de dezembro de 2014



"Eu e o meu violão
Vamos rogando em vão
O seu regresso...
Se soubesses como choro
E como peço
Pra que o nosso fracasso
Se transforme em progresso"

FESTA DA VINDA, Cartola


sábado, 20 de dezembro de 2014

LUXUOSOS TRANSATLÂNTICOS - Nei Lopes e Cláudio Jorge



“Em luxuosos transatlânticos
Os negros vinham da África para o Brasil
Gozando de mordomias faraônicas
Chegavam aqui com ar fagueiro e juvenil
E mal desembarcavam lá no porto
Com todo conforto
Em luxuosas senzalas iam se hospedar
Tratados a pão-de-ló, comendo do bom e do melhor
Levavam a vida a cantar
Lalaiá laia, lalaiá laiá, laia laia laia
Nos campos e nas cidades
Nos tempos que não voltam mais
Reinava a mais perfeita harmonia
Tudo era alegria, amor, carinho e paz
Até que exóticas ideologias fizeram o cativeiro acabar
Mas a índole mansa e pacífica
Dessa gente magnífica fez o negro se recuperar
Hoje no Brasil da liberdade
Onde tudo é igualdade
Sem distinção de raça e nem de cor
O negro agradecido ergue aos céus o seu louvor
Ô ô ô ô! Ai que saudades dos carinhos do feitor

(Obrigado Isabel)”

Copie o link, cole no seu navegador e aprecie esse samba na voz de Nei Lopes:  https://www.youtube.com/watch?v=uWc4BkU293w