Seja por DOM OU MAGIA/ a minha poesia é bem natural (Santaninha, Barbosinha, Rubens Gordinho e Clóvis)
domingo, 25 de setembro de 2016
sábado, 20 de agosto de 2016
MINHA PRETINHA
-
Minha pretinha
Tu és a minha majestade
Apesar da pouca idade
Tem responsa de rainha
Eu so ando no trilho
Se estou sob a tua batuta
Tenho forças para ir pra luta
Não sou mais pobre andarilho
Pretinha, sua linda cor
Lembra o licor de jenipapo
Dessa sua brejeirice, mimosura, chameguice
Já te disse, não escapo
Paixão é uma cobra muçurana
Sorrateira e fatal
Se disfarça e nos engana
No meio do cipoal
Já o amor...
Graças a você Pretinha
Sei que é água-de-quartinha
Mata sede e abençoa
Não é emoção daninha
Que machuca e aguilhoa
AUTORIA: Emersson Ursoo e Ricardo Bispo
domingo, 31 de janeiro de 2016
Apontamentos sobre MIL OITOCENTOS E BOLINHA
Embora a temática do samba e até a estrutura da letra sugira um samba-enredo, a composição em questão é um partido-alto (a letra e o link do áudio estão na postagem anterior).
No ano de 1850 foi marcado por muitos eventos, alguns dos quais, repercutem e influenciam de um modo ou de outro até hoje a sociedade brasileira. No ano em questão se intensificou o processo de IMIGRAÇÃO de mão-de-obra europeia prevendo o inevitável desmantelamento do regime de ESCRAVIDÃO, principalmente com a assinatura da LEI EUSÉBIO DE QUEIROZ que proibia o tráfico negreiro, uma vitória do ABOLICIONISMO. Atribui-se ao fluxo de imigrantes ao primeiro surto de FEBRE AMARELA no Brasil, datando de 1850, originando devastadora epidemia. Nesse mesmo ano teve fim a REVOLUÇÃO PRAIEIRA, iniciada dois anos antes e que ficou assim conhecida porque os revoltosos se amotinaram na Rua da Praia, em Recife contestando o regime monárquico.
Antônio Evangelista de Sousa, Visconde de Mauá, recebia do Imperador, por seus relevantes serviços à Coroa, um novo título nobiliárquico BARÃO DE MAUÁ.
Um cético pedagogo de Lion, Hippolyte Léon Denizard Rivail, pesquisador das propriedades do magnetismo, tem sua atenção atraída por fenômenos poltergeist no subúrbio de Paris, onde mesas dançavam supostamente sozinhas. Esse cientista se debruça sobre o evento com ar investigativo, convicto de se tratar de truques de ilusionismo. Em 1858 como resultado de seus estudos, o pesquisador, com o pseudônimo se Allan Kardec lançava o LIVRO DOS ESPÍRITOS.
Com a rubrica de D. Pedro II, circulava desde 1843 em todo território nacional o primeiro selo dos Correios do Brasil: o Olho-de-boi
Promulgou-se a LEI DAS TERRAS, o primeiro ensaio jurídico-legal para a reforma agrária, porém beneficiando coronéis donos de latifúndios, exorbitando o valor de lotes, impedindo que negros alforriados, contemplados por medidas de mitigação progressiva da escravidão (Lei do Ventre Livre, Lei dos Sexagenários) tivessem acesso à terras.
Com o declínio do ciclo cafeeiro, o látex, o OURO BRANCO, extraído da seringueira na Amazônia se tornou uma importante fonte de renda na balança comercial do país.
Figura histórica e controversa dos primórdios do Carnaval, ZÉ PEREIRA, seria um imigrante português que com seu bumbo teria inaugurado o carnaval de rua no Rio de Janeiro, até então circunscrito aos salões aristocráticos. Historiadores e cronistas não chegam a um consenso sobre a data em que o lusitano fanfarrão inovou o carnaval brasileiro, há os que defendem que tal personagem jamais existiu e que na verdade era um símbolo carnavalesco (como pierrôs, colombinas, negas-maluca, Clóvis e etc). E que existiram vários Zés Pereiras. Dos que dataram a primeira aparição do pândego portuga, o cronista oitocentistas Luiz Edmundo foi quem lhe atribuiu maior anterioridade, situando-o em 1852.
No ano de 1850 foi marcado por muitos eventos, alguns dos quais, repercutem e influenciam de um modo ou de outro até hoje a sociedade brasileira. No ano em questão se intensificou o processo de IMIGRAÇÃO de mão-de-obra europeia prevendo o inevitável desmantelamento do regime de ESCRAVIDÃO, principalmente com a assinatura da LEI EUSÉBIO DE QUEIROZ que proibia o tráfico negreiro, uma vitória do ABOLICIONISMO. Atribui-se ao fluxo de imigrantes ao primeiro surto de FEBRE AMARELA no Brasil, datando de 1850, originando devastadora epidemia. Nesse mesmo ano teve fim a REVOLUÇÃO PRAIEIRA, iniciada dois anos antes e que ficou assim conhecida porque os revoltosos se amotinaram na Rua da Praia, em Recife contestando o regime monárquico.
Antônio Evangelista de Sousa, Visconde de Mauá, recebia do Imperador, por seus relevantes serviços à Coroa, um novo título nobiliárquico BARÃO DE MAUÁ.
Um cético pedagogo de Lion, Hippolyte Léon Denizard Rivail, pesquisador das propriedades do magnetismo, tem sua atenção atraída por fenômenos poltergeist no subúrbio de Paris, onde mesas dançavam supostamente sozinhas. Esse cientista se debruça sobre o evento com ar investigativo, convicto de se tratar de truques de ilusionismo. Em 1858 como resultado de seus estudos, o pesquisador, com o pseudônimo se Allan Kardec lançava o LIVRO DOS ESPÍRITOS.
Com a rubrica de D. Pedro II, circulava desde 1843 em todo território nacional o primeiro selo dos Correios do Brasil: o Olho-de-boi
Promulgou-se a LEI DAS TERRAS, o primeiro ensaio jurídico-legal para a reforma agrária, porém beneficiando coronéis donos de latifúndios, exorbitando o valor de lotes, impedindo que negros alforriados, contemplados por medidas de mitigação progressiva da escravidão (Lei do Ventre Livre, Lei dos Sexagenários) tivessem acesso à terras.
Com o declínio do ciclo cafeeiro, o látex, o OURO BRANCO, extraído da seringueira na Amazônia se tornou uma importante fonte de renda na balança comercial do país.
Figura histórica e controversa dos primórdios do Carnaval, ZÉ PEREIRA, seria um imigrante português que com seu bumbo teria inaugurado o carnaval de rua no Rio de Janeiro, até então circunscrito aos salões aristocráticos. Historiadores e cronistas não chegam a um consenso sobre a data em que o lusitano fanfarrão inovou o carnaval brasileiro, há os que defendem que tal personagem jamais existiu e que na verdade era um símbolo carnavalesco (como pierrôs, colombinas, negas-maluca, Clóvis e etc). E que existiram vários Zés Pereiras. Dos que dataram a primeira aparição do pândego portuga, o cronista oitocentistas Luiz Edmundo foi quem lhe atribuiu maior anterioridade, situando-o em 1852.
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| Rua das Casinhas - depois do Palácio e do Tesouro; na esquida da Rua do Rosário, o primeiro sobrado de taipa com 4 pisos. (mais ou menos 1850) |
MIL OITOCENTOS E BOLINHA
Foi em 1850
Soprava o vento da imigração pro Brasil
Liberdade não se acorrenta
Chegaria ao fim a escravidão REFRÃO
Naquele ano assinaram a Lei Eusébio de Queiroz
Do Abolicionismo ecoou a voz
Conflito da Rua da Praia no velho Recife se pôs a findar
E Evangelista de Souza virava o Barão de Mauá
Febre amarela invadia o país
Mesas-girantes sacudiam Paris
Já circulava o Olho-de-Boi,
nosso selo postal
Dividiram essa terra em partes
desiguais
Ouro branco jorrava em nossos
seringais Dois anos depois Zé Pereira
iniciava o carnaval
REFRÃO
AUTORIA: Ricardo Bispo
COPIE O LINK ABAIXO E COLE NO NAVEGADOR E ESCUTE O SAMBA:
https://soundcloud.com/ricardo-bispo-11/mil-oitocentos-e-bolinha
quarta-feira, 14 de outubro de 2015
terça-feira, 22 de setembro de 2015
segunda-feira, 7 de setembro de 2015
ENTREVISTA COM EMERSSON URSOO
Batemos um papo esperto com o cantor e compositor
paulistano Emersson Ursoo que está prestes a lançar o sexto CD de sua carreira.
Ursoo é afilhado musical de Mestre Monarco e de Dona Ivone Lara, de quem também
é parceiro. Confiram abaixo:
DOM OU MAGIA - Urso vem aí seu 6º CD, o que podemos esperar?
EMERSON URSOO - É um Cd que
prima pelo sentimento "Música e amor" dessa vez eu venho menos
político, menos porta voz das mazelas do meu país. Amor ao samba suas vertentes
e personagens e o amor de casal. Cada vez mais cadenciada minha música vem
seguindo a linha tradicional de sempre.
DM- E fale pra nós sobre as
participações especiais que nos aguarda?
E.Ursoo - Teremos 10
participações, sambistas de São Paulo que admiro muito, atuantes da noite,
militantes, defensores culturais.
DM – Como
você enxerga o cenário do samba paulista?
E.Ursoo - O samba
Paulista que eu e minha geração faz é mais inspirado nos mestres do samba
carioca, crescemos ouvindo Martinho da Vila, Zeca Pagodinho, Delcio
Carvalho, Ivone Lara, Fundo de Quintal, Clara Nunes, Roberto Ribeiro e
todos os compositores que eles gravavam. São Paulo não costumava ter artistas
de Samba tocando em rádio e quase não se gravava disco aqui, então quem não
tinha convivência direta com os sambistas daqui, como no meu caso até meus 30
anos, acabou tendo como referências sambistas de fora. Depois sim, frequentando
as rodas de samba (Projetos e comunidades) a partir de 1999 (Clube dos
Sambistas) aí sim, juntamente com outros sambistas, passamos a fazer um resgate dos
nossos sambistas assim como incentivar os compositores a mostrarem suas obras.
Esse movimento cresceu muito no início do século, distribuído em diversos
bairros da cidade, hoje passam dos 200. O Samba cresceu, porém com um sentimento
de união que veio estreitando e cada vez mais tem atingido sua meta. Hoje temos
uma associação (ASTEC-SP) que está à frente trabalhando pelo samba da nossa
cidade para que tenhamos mais organização, respeito e valorização. Nesse
período de 15 anos desde o início do século surgiram diversos compositores e
intérpretes que registraram em CD suas obras e vozes, assim para as novas
gerações terem uma boa referência de sambistas de São Paulo. O samba de São Paulo segue em constante crescimento, porém, não o samba
tradicionalmente Paulista que é mais Rural, deste samba temos poucos
representantes gravando, a referência maior ainda é o samba que se fez no Rio
de Janeiro entre as décadas de 1940 e 1980.
DM- Algo que reparávamos é
que era comum quando cantores paulistas gravavam cd’s, via de regra, convidavam
sambistas cariocas para participarem do disco, mas não era algo recíproco, era
raro bambas do Rio convidarem nomes do samba da Garoa para seus trabalhos, esse cenário tem se
modificado um pouco nos últimos anos, alguns exemplos, o Monarco convidou o Tuco
Pellegrino em seu último CD, o Nei Lopes escolheu a rapaziada do extinto
Quinteto em Branco e Preto para acompanhá-lo na gravação de seu DVD, tem o belo
trabalho da Cristina Buarque junto ao Terreiro Grande, e por falar no Terreiro
e pra mostrar que a nova geração de sambistas cariocas também estão conectados
com Sampa, o Gabriel Cavalcanti gravou um cd onde as maioria das faixas
aparecem a dupla Roberto Didio e Renato Martins; a Dayse do Banjo em seu CD gravou um samba de Dadinho e Melão da Velha Guarda do Camisa. Essa visibilidade do samba
paulista, no seu entendimento, seria um reflexo do trabalho das chamadas
comunidades do samba?
E.Ursoo - Essas ações
de resgate dos sambas antigos, dos sambistas defensores e mantenedores da
tradição e o incentivo a amostragem do samba inédito foram os responsáveis por
isso, logo, as comunidades são de fundamental importância. Principalmente a
partir do final do século passado e inicio desse, o movimento se formou e não
parou de crescer, inclusive se espalhando para todo Brasil. O movimento nasceu em São Paulo, que através dos projetos, comunidades e alguns bares, começaram a
trazer os sambistas mestres para shows e homenagens. Aqui eles tinham e tem o
devido valor reconhecido. E um trabalho totalmente fora da mídia, correndo por
fora, com foco na cultura, no samba novo e na preservação das raízes. Os grandes
sambistas começaram a notar que os compositores daqui faziam e fazem sambas,
choros e outros gêneros genuinamente culturais no nível mais alto possível,
herança dos próprios mestres que se foram e os que estão em atuação.
DM –
Conte-nos um pouco de suas excursões pelo EUA e Europa.
E.Ursoo - Foi um presente do astral, nada
planejado. Fui passar lua de mel com minha esposa lá na Florida e levei meu CD
e meu cavaquinho. Chegando lá através de um amigo da minha esposa fui
apresentado a um empresario que depois de uma audição gostou do meu trabalho e
me convidou para tocar no hotel que gerenciava. O contentamento de ambas as
partes e do público acabou abrindo as portas na terra do Tio Sam. Viajei por
diversas cidades durante 3 anos, chegando a ir até 4x por mês pros Estados
Unidos. Pra Europa a primeira vez foi por encomenda de um samba-enredo para uma
escola de samba na Suíça, fui campeão e conheci muitas pessoas, acabei voltando
pra tocar em bares brasileiros e fui a outras cidades e outros países europeus. Também fui ao Japão e África do Sul. O samba me levou pro mundo, e sempre
defendi a obra autoral minha e dos meus parceiros.
DM –
Partilhe conosco a experiência de compor junto com nomes lendários do samba.
E.Ursoo - Experiência
fantástica, humildade dos mestres e sempre partiu deles, depois de gravar comigo,
cantando algo meu com meus parceiros, depois de aprovarem as letras e melodias
e ver que os sambas tinham uma linhagem nobre, assim como as deles, afinal me
inspirava neles. Foi assim com Seu Jair do Cavaquinho, Argemiro, Delcio
Carvalho, Luiz Carlos da Vila entre outros...
DM - Cite
três sambas que não podem faltar numa roda de samba onde tenha Emersson Ursoo.
E.Ursoo - Saravá, Tem
de tudo pra vender, Nossa Senhora Aparecida.
ZUELA DE OGUM
AUTORIA: Deley Antonelli e Ricardo Bispo
No cazuá de Dona Iaiá
De longe se ouve a zuela
Incensa o terreiro, acende a vela BIS
Oxalá abençoa o congá
O ilê já tá todo enfeitado
Com as folhas sagradas do meu Pai Ogum
Aroeira e também óleo pardo
Mariô desfiado e peregum
Vai ter xirê de Ogum Meje
Akorô, Ogunjá e Onirê
E no rum também vai tocar jeje
Pra invocar o sinhô Xoroquê
Firma o batuque aêêê
Iabassê mandou preparar
Feijoada, inhame no dendê REFRÃO
Ogunhê! Pai Ogum iremos saudar
sábado, 5 de setembro de 2015
MEU SAMBA É ASSIM: por Coletivo Arnesto
Nome: Ricardo Bispo dos Santos
Nome artístico: Ricardo Bispo
Data de nascimento: 28/10/1976
Natural da cidade de São Paulo – SP
Reside em Praia Grande – SP
Referências: (por ordem de influência) Nei Lopes, Paulo
Cesar Pinheiro, Luis Carlos da Vila, Eduardo Gudim, Roque Ferreira, Santaninha,
Delcio Carvalho, Geraldo Filme, Mestre Darci do Jongo e Barbeirinho do
Jacarezinho.
Principais parceiros: (por ordem alfabética) Alabá, Alex
Cardoso, Aluízio Neguinho, André Moraes, Charlie Dief, Emersson Urso, Juninho
Mancuso, Marquinho Quebra-Corda, Nonô NG e William Fialho.
- Amor Nagô; Sincopando o Sincopado; Gurufim de Bamba;
Cântico das Ninfas e Se bola de cristal tivesse zoom.
sábado, 25 de julho de 2015
ÀS MARGENS DO GUAPORÉ
Às margens do Guaporé
Vi Teresa de Benguela
Com seu colar de urucum
Das rainhas, a mais bela
Às margens do Guaporé
Vi Teresa de Benguela
Colhia o que arou pra si
Batata doce e brinjela
Às margens do Guaporé
Vi Teresa de Benguela
Repartia o que colhia
Não plantava só pra ela
Às margens do Guaporé
Vi Teresa de Benguela
Disfarçada de nenúfar
Flor de haste amarela
Às margens do Guaporé
Vi Teresa de Benguela
Orando para Angana-Zambi
Por seus filhos na favela
Às margens do Guaporé
Vi Teresa de Benguela
Com a fibra do guelengue
Da impala e da gazela
Às margens do Guaporé
Vi Teresa de Benguela
Com seu riso buliçoso
Feito um samba da Portela
Às margens do Guaporé
Vi Teresa de Benguela
Fui às terras angolanas
No versar de Pepetela
Às margens do Guaporé
Vi Teresa de Benguela
Entoando uma cantiga
Em quicongo e ganguela
Às margens do Guaporé
Vi Teresa de Benguela
Ganhando muito pataco
No jogo da bacatela
Às margens do Guaporé
Vi Teresa de Benguela
Com vigor que emprestaria
A Luther King e Mandela
Do livro Espelho opaco de Narciso, 2014, Ricardo Bispo, Editora Clube de Autores
quinta-feira, 28 de maio de 2015
QUEM NÃO SABE REZAR...
A Bahia fervia em sagrados louvores no Pelourinho.
Junho chuvoso.
Era a trezena de Santo Antônio (na verdade era o tríduo, pois eram três dias e não treze, porém, sabemos que baiano é um povo assuntado).
Antes da procissão sair, na hora da ladainha em honra à Santa Maria, as santas beatas já estavam mais aporrinhadas que xerelete no anzol.
A pendenga era o povaréu, mais acostumado com atabaques do Opofonjá do que os castos sacramentos da Madre Igreja.
Eram mais chegados a uma mumunha pra Ossãe do que uma ladainha pra São Lázaro.
Mais ligados na fila festiva para os comes-e-bebes do olubajé com os quitutes servidos na folha da mamoneira (e tudo pra ser comido com a mão) do que a fila circunspecta e contrita da eucaristia, com a sua hóstia e um tiquinho de vinho. Uma merreca. Monsenhor Alípio, sovinas, colocava sangria pros fiéis bebericarem, ao passo, que ele sorvia um tinto do Porto, direto da Vila Nova Gaia, às margens do Douro.
E o povão, sincreticamente, fervia. Bolinho de acará mergulhado no dendê borbulhante já virando acarajé.
E pra indignação das velhas beatas, a massa estava mais pro bom iorubá do que pro lírico latim, e foi nessa que a turba repetindo, o Frei Cosmo, pároco, representante da Diocese de Salvador, na ladainha em honra à Virgem Maria:
"Regina Coeli, Aleluia, Regina profetarum
( e em vez de profetarum, fizeram ecoar um: bofetarum)".
Era só o prenúncio do furacão. Procissão iniciada. Louvores a Santo Antônio, o Santo Casamenteiro.
Teve beata que quase infartou quando chegaram no trecho da ladainha que diz assim:
"Agnus Dei qui tollis peccata mundi".
Do povão se fez ouvir, em uníssono:
"Agnus dê clitóris peccata mundi".
E Monsenhor Alípio, lívido e estarrecido, virou-se e bradou taxativo uma frase lapidar.
- QUEM NÃO SABE REZAR, XINGA A DEUS!!! (E assim nascia a expressão popular)
Ricardo Bispo
Junho chuvoso.
Era a trezena de Santo Antônio (na verdade era o tríduo, pois eram três dias e não treze, porém, sabemos que baiano é um povo assuntado).
Antes da procissão sair, na hora da ladainha em honra à Santa Maria, as santas beatas já estavam mais aporrinhadas que xerelete no anzol.
A pendenga era o povaréu, mais acostumado com atabaques do Opofonjá do que os castos sacramentos da Madre Igreja.
Eram mais chegados a uma mumunha pra Ossãe do que uma ladainha pra São Lázaro.
Mais ligados na fila festiva para os comes-e-bebes do olubajé com os quitutes servidos na folha da mamoneira (e tudo pra ser comido com a mão) do que a fila circunspecta e contrita da eucaristia, com a sua hóstia e um tiquinho de vinho. Uma merreca. Monsenhor Alípio, sovinas, colocava sangria pros fiéis bebericarem, ao passo, que ele sorvia um tinto do Porto, direto da Vila Nova Gaia, às margens do Douro.
E o povão, sincreticamente, fervia. Bolinho de acará mergulhado no dendê borbulhante já virando acarajé.
E pra indignação das velhas beatas, a massa estava mais pro bom iorubá do que pro lírico latim, e foi nessa que a turba repetindo, o Frei Cosmo, pároco, representante da Diocese de Salvador, na ladainha em honra à Virgem Maria:
"Regina Coeli, Aleluia, Regina profetarum
( e em vez de profetarum, fizeram ecoar um: bofetarum)".
Era só o prenúncio do furacão. Procissão iniciada. Louvores a Santo Antônio, o Santo Casamenteiro.
Teve beata que quase infartou quando chegaram no trecho da ladainha que diz assim:
"Agnus Dei qui tollis peccata mundi".
Do povão se fez ouvir, em uníssono:
"Agnus dê clitóris peccata mundi".
E Monsenhor Alípio, lívido e estarrecido, virou-se e bradou taxativo uma frase lapidar.
- QUEM NÃO SABE REZAR, XINGA A DEUS!!! (E assim nascia a expressão popular)
Ricardo Bispo
terça-feira, 19 de maio de 2015
terça-feira, 12 de maio de 2015
Salve o 13 de Maio
'Vou pra Valença, pra Fazenda São José
Vou pra Valença, pra Fazenda São José
Vou pedir a bença, véio cumba tem axé
Vou pedir a bença, véio cumba tem axé'
MACHADO!
- Jongo de Valença (Ricardo Bispo)
Salve o 13 de Maio.
Salve Jongueiro!
Vou pra Valença, pra Fazenda São José
Vou pedir a bença, véio cumba tem axé
Vou pedir a bença, véio cumba tem axé'
MACHADO!
- Jongo de Valença (Ricardo Bispo)
Salve o 13 de Maio.
Salve Jongueiro!
sábado, 2 de maio de 2015
LÚCIO SANFILIPPO E LUIZ ANTÔNIO SIMAS - Eu já colaborei e você
O Projeto será realizado no ano de 2015, no Rio de Janeiro,
viabilizando a finalização do Dvd comemorando 21 anos de uma carreira de
valorização da identidade cultural brasileira e a gravação de 2 Cds inéditos.
O Dvd é composto de show ao vivo gravado no Sesc Nova Iguaçu em
agosto de 2013, com participação da Companhia de Aruanda, além de documentário
sobre a carreira e a ligação do artista com as culturas populares. Ainda conta
com extras de artistas parceiros como Ana Costa, Moyseis Marques, Razões Africanas
e Marina Iris;
Um Cd com músicas inéditas compostas pelo próprio Lucio
Sanfilippo;
Um Cd com músicas inéditas compostas pelo escritor, historiador e
Babalaô Luiz Antônio Simas.
O trabalho do artista está ligado diretamente ao Samba, Jongo,
Maxixe, Maracatu, Ciranda, Coco, bem como ritmos de origem iorubana ( Ijexás,
Aguerés e Alujás), trazendo para o público um pouco da produção popular do
universo Afro Brasileiro.
20.000,00 (vinte mil reais) - Com este valor pagamos a finalização do Dvd - Cordel, Flor e
Canção. Mixagem, Masterização, Prensagem, Design gráfico, Direitos autorais,
Produção Executiva...Parte do custo do Projeto.
35.000,00 (trinta e cinco mil reais) - Com este valor pagamos a finalização do Dvd - Cordel, Flor e
Canção e gravamos o Cd inédito Lucio Sanfilippo canta canções de Luiz
Antônio Simas. Gravação, Mixagem, Masterização, Design gráfico e Produção
Executiva.
50.000 (cinquenta mil reais) - Com este valor pagamos a finalização do Dvd - Cordel, Flor e Canção
+ Cd inédito Lucio Sanfilippo canta canções de Luiz Antônio Simas + Cd
autoral de Lucio Sanfilippo. Gravação, Mixagem, Masterização, Design
gráfico e Produção Executiva.
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