Seja por DOM OU MAGIA/ a minha poesia é bem natural (Santaninha, Barbosinha, Rubens Gordinho e Clóvis)
sábado, 28 de fevereiro de 2015
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
MÍDIA E CARNAVAL
A
influência da mídia televisiva na conjuntura do carnaval das escolas de samba revela
uma relação de atrito onde, como regra, a corda arrebenta pro lado mais fraco:
o das agremiações carnavalescas, reduto artístico-cultural das classes
populares, majoritariamente, negras.
Um
dos efeitos mais perniciosos dessa relação foi a consequente eliminação da
síncope na estrutura musical do samba de enredo, que foi acelerado para que as
escolas pudessem se apresentar dentro do intervalo de tempo cronometrado
imposto ao regulamento pela tevê por causa de seus interesses comerciais. A
síncope é a característica do samba que o faz malemolente, com a sua subtração
gradativa, a música recebeu um andamento mais acelerado, o gingado dos
passistas e os desenhos rítmicos da bateria foram prejudicados.
Há
tempos que o desfile das escolas abandonou o patamar de bem cultural e migrou
para o status de atração turística. Mudanças dessa ordem invertem conceitos fundamentais
e o que era essencial passa a ser encarado como acessório e vice-versa.
Com
o monopólio da transmissão nas mãos de uma única emissora, as escolas tem se
tornado cada vez mais reféns de seu bel-prazer. A detentora dos direitos
televisivos transmite o desfile, em tempo real, para mais de cem países e o disponibiliza, por
meio de seu portal na internet, on line, para praticamente o mundo inteiro, reforçando cada vez mais
o caráter turístico e a espetacularização do desfile como algo irreversível.
Cooptadas pela Indústria do Entretenimento,
muitas escolas, para atender às demandas apresentadas por essa nova ordem, o da
atração turística, tem firmado parcerias com governos, entidades e empresas,
buscando recursos financeiros para um espetáculo onde a estética visual é
determinante, gerando os malfadados enredos patrocinados, transformando os
sambas pro desfile em uma espécie de jingle de longa duração, com a asfixiante
obrigatoriedade dos compositores incluírem na letra do samba jargões e
expressões. Não são poucos os sambas oriundos de enredos patrocinados que são
verdadeiros frankensteinzinhos musicais.
Situadas
no meio desses dois campos de forças, ás vezes, antagônicas (Redes de TV e
Empresas), as escolas de samba acabam enfrentando conflitos de interesses, como
o caso da paulistana Rosas de Ouro, que no Carnaval de 2010 alterou a primeira
linha do refrão, segundo fontes oficiosas, por pressão do canal de tevê que
transmitiria o desfile, o que foi negado pela assessoria de imprensa da escola, porém, com o
desfile bancado pela marca de chocolate Cacau Show , o refrão que começava com
os versos ‘tá na boca do povo: o cacau é
show!’, houve a alteração para ‘tá na boca do
povo: o cacau chegou!’
Essa
pressão de fora pra dentro, que chega a pretensão arrogante de interferir no
samba escolhido pela escola, algo sagrado dentro da agremiação, não
ocorre só pela rede de tevê que tem o contrato de exclusividade do carnaval e não só por
interesses financeiros, mas por questões ideológicas também. Nesse ano houve o
pedido para que a Estação Primeira de Mangueira alterasse uma palavra do bis do
meio. Ao se apresentar numa rede de tevê, propriedade de um líder religioso da
vertente neopentecostal que adota um discurso combativo e intolerante com
diferentes credos, em especial, os de cunho afro-brasileiros, implicaram com a
palavra ‘orixá’, no samba mangueirense. Um absurdo.
O
avanço tecnológico também traz alguns problemas.
Antes, com as câmeras estáticas, quem acompanhava os desfiles pela TV tinha uma percepção melhor do trabalho da escola. Hoje com as várias câmeras, gruas e etecéteras, com os recortes de ângulos, tomadas de início do desfile, e cortes repentinos para a concentração, e de repente, o foco na bateria, e volta pra comissão de frente, passando uma imagem fragmentada do desfile, esse jogo de câmeras dá a desagradável impressão de se estar assistindo a um ‘compacto ao vivo’, pois o desfile de escolas de sambas é uma apresentação procissional, em cortejo numa sequência ordenada.
Antes, com as câmeras estáticas, quem acompanhava os desfiles pela TV tinha uma percepção melhor do trabalho da escola. Hoje com as várias câmeras, gruas e etecéteras, com os recortes de ângulos, tomadas de início do desfile, e cortes repentinos para a concentração, e de repente, o foco na bateria, e volta pra comissão de frente, passando uma imagem fragmentada do desfile, esse jogo de câmeras dá a desagradável impressão de se estar assistindo a um ‘compacto ao vivo’, pois o desfile de escolas de sambas é uma apresentação procissional, em cortejo numa sequência ordenada.
E pra encerrar o desfile com o carro alegórico do inadmissível, é de
lamentar o fato do desfile das escolas Unidos de Viradouro e São Clemente não
serem transmitidos ao vivo. Condenável a posição condescendente da LIESA e a
omissão das escolas coirmãs. A Rede Lobo não abriria mão de exibir o Big Brother,
há milhões de reais envolvidos e o desfile dos interesses próprios é o mais importante.
E
isso vem de outros carnavais.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
sábado, 27 de dezembro de 2014
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
sábado, 20 de dezembro de 2014
LUXUOSOS TRANSATLÂNTICOS - Nei Lopes e Cláudio Jorge
“Em
luxuosos transatlânticos
Os
negros vinham da África para o Brasil
Gozando
de mordomias faraônicas
Chegavam
aqui com ar fagueiro e juvenil
E
mal desembarcavam lá no porto
Com
todo conforto
Em
luxuosas senzalas iam se hospedar
Tratados
a pão-de-ló, comendo do bom e do melhor
Levavam
a vida a cantar
Lalaiá
laia, lalaiá laiá, laia laia laia
Nos
campos e nas cidades
Nos
tempos que não voltam mais
Reinava
a mais perfeita harmonia
Tudo
era alegria, amor, carinho e paz
Até
que exóticas ideologias fizeram o cativeiro acabar
Mas
a índole mansa e pacífica
Dessa
gente magnífica fez o negro se recuperar
Hoje
no Brasil da liberdade
Onde
tudo é igualdade
Sem
distinção de raça e nem de cor
O
negro agradecido ergue aos céus o seu louvor
Ô
ô ô ô! Ai que saudades dos carinhos do feitor
(Obrigado
Isabel)”
Copie o link, cole no seu navegador e aprecie esse samba na voz de Nei Lopes: https://www.youtube.com/watch?v=uWc4BkU293w
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
WILSON MOREIRA, O NOME QUE PESA NA BALANÇA
Hoje, 12/12/2013 comemoramos o aniversário do magistral Wilson Moreira, um patrimônio do samba popular
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
NA ESTANTE: O Último Negro - Durval Arantes
SINOPSE
Em ritmo de thriller, O Último Negro, Editora Vermelho Marinho, narra fatos que se
desenrolaram no Brasil e no Estados Unidos, com origem em um incidente ocorrido
em 1976 e relatado casualmente a um jovem repórter de jornal. Encobertas até
então por um motivo inimaginável, e mantidas em segredo por muitos anos,
revelações extraordinárias vêm à tona em meio a um embate étnico-universitário
envolvendo estudantes negros e brancos.
O desabafo casual de uma socialite
paulistana desperta o instinto investigativo do repórter, que acaba por
desenterrar fatos escondidos do passado. Robusto, com mais de 50 capítulos, o
livro traz em seus personagens a proposta de contribuir para uma melhor
compreensão do que foi a Diáspora Africana e quais foram os seus reflexos na
formação das duas maiores Nações com populações afrodescendentes das Américas.
Cole e copie em seu navegador o link abaixo e curta o vídeo oficial do lançamento do belo livro, realizado na Livraria Cultura, 18/11/2014.
https://www.youtube.com/watch?v=S9S1RCm8shk&feature=youtu.be
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
sábado, 29 de novembro de 2014
Preços promocionais vão até hoje, 30/11
Pré-visualização de Espelho Opaco de Narciso, disponível no site da Editora.
Saboreie as primeiras 18 páginas de meu mais recente livro.
Copie no link abaixo, cole no navegador e leia um trecho:
https://www.clubedeautores.com.br/book/176664--ESPELHO_OPACO_DE_NARCISO#.VHp6sjHF8cA
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sexta-feira, 28 de novembro de 2014
Esse povo precisa ouvir Racionais
Tá na área o mais novo cd do grupo de rap paulistano Racionais MC’s –
Cores e Valores, o 8º da carreira. Gravado no Quad Recording Studios e mixado no Brevery Recordind Studio,
Nova Iorque (EUA) foi lançado após um intervalo de 14 anos. O anterior foi o
Nada como um dia após o outro (Coisa Nostra, 2002).
Do ponto de vista melódico e de arranjos sobressai a faixa
11, O Mau e o Bem (de Ice Blue e Don Pixote), a letra de Quanto vale o show?, faixa
13 (de Mano Brown), uma viagem pela década de 1980, remonta aos bons tempos de Racionais.
É de lamentar as faixas breves como se fossem vinhetas, por exemplo, as faixas 3 e 4 têm 37 e 24 segundos, respectivamente. Tanto tempo sem lançar um álbum - os primeiros trabalhos fonográficos do quarteto tinham poucas
músicas, porém mais extensas, ansiava-se por mais. A faixa mais longa é a já citada O Mau e o Bem com 4:59. O tempo de fruição do disco é tão rápido que você duvida já ter tocado as 15 faixas do cd.
Sobre o estilo dos Racionais, é isso mesmo, música engajada
com a denúncia social com o vocabulário da periferia. Porta-vozes dos oprimidos.
O tom de indignação na voz
dos intérpretes, vejo como mais um elemento identitário caracterizando o teor
reivindicatório/ denunciatório da proposta musical do grupo.
Pensando bem, num cenário que tende a se homogeneizar pela
égide da indústria cultural de massa que visa só o entretenimento, como é o
panorama musical brasileiro na atualidade, é salutar essa diversidade.
É bom termos Racionais.
Esse povo precisa ouvir Racionais!
No link do youtube confiram a faixa 11, o Mau e o Bem:
https://www.youtube.com/watch?v=1CoNBU8xvQU
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